Por Solange Hertz
Traduzido por Andrea Patrícia
Introdução do Editor: Talvez o artigo que se segue não seja
fácil de ler para alguns. É uma análise dos erros filosóficos e teológicos que
há muito tempo se insinuaram no sistema de raízes do pensamento político
moderno. Nascidos da Revolução Protestante, esses erros acabariam por fazer a
grande árvore da Cristandade cair no chão. Incluída nesta análise está um olhar
penetrante sobre a forma como algumas dessas idéias fundamentalmente Protestantes
fizeram o seu caminho nos documentos de fundação de nosso próprio país.
Nunca é fácil ver defeitos em nós mesmos ou naqueles que
amamos, e não é menos difícil reconhecê-los na terra do nosso nascimento e infância,
coração e lar. O patriotismo é uma virtude Cristã. O amor pelo país é parte do
que constrói a integridade e a honra em homens decentes. Mas o amor pelo país
nem sempre é sinônimo de amor ao governo, especialmente quando os governos se desviam
dos princípios Católicos como flagrantemente tem feito o nosso.
Assim como nós Católicos tradicionais, por vezes, devemos
distinguir entre a Igreja que reverenciamos acima de tudo e o atual aparelho
do Vaticano, assim, também, Católicos norte-americanos devem reconhecer uma
distinção entre a América que reverenciamos - a terra do nosso nascimento,
reivindicada como sua própria por Nossa Senhora de Guadalupe, Imperatriz das Américas,
descoberta pelo Católico Colombo, colonizada pelos Católicos espanhóis, portugueses
e franceses, generosos para além da descrição nos tempos modernos,
independentes, engenhosos, espirituosos - e o governo federal, centralizado,
que foi fundado por revolução de mentalidade Protestante, que, apesar de terem
algumas idéias boas e nobres, foram, no entanto, contra a Igreja Católica e o
reinado social de Cristo-Rei. (Admitir isso não é insultar ou caluniar os
nossos Pais Fundadores, é uma mera declaração da realidade histórica, sobre a
qual nenhum historiador sério poderia tergiversar. Nossos fundadores não eram Católicos
e a "novus ordo seculorum" deles era para substituir a antiga ordem Católica
da Cristandade.)
E agora, quase 230 anos depois, nós, os Católicos
americanos, que vivemos na era pós-Cristã, devemos de alguma forma resolver
onde estamos e como conciliamos o amor e o patriotismo que todos nós sentimos
em nossos corações por uma terra que nos sustentou em generosa abundância, com
o lado escuro do nosso governo feito pelo homem que nunca partilhou a nossa Fé
e que está tentando impor a democracia secular como uma religião sobre o resto
do mundo.
A Sra. Hertz - patriota, uma americana cuja família Católica
remonta a muitas gerações neste país, uma mulher cujo marido, um oficial dos
EUA, foi um dos primeiros dos reféns civis tomados pelo inimigo no Vietnã e, de
fato, morreu ali em um campo-prisão comunista - tentou no presente artigo enfrentar
os fatos e as contradições que existem entre o ensino das Católico
das Escrituras e da religião da democracia global que, queiramos ou não, passou a sua
infância no maravilhoso, utópico, quase encantado mundo em que nós americanos
chamamos de casa.
A América não está além da esperança. Seu solo foi tingido
de vermelho com o sangue de mártires muitas vezes. Mas Cristo Rei é a única
ameaça que o Rei das Trevas reconhece, mesmo aqui na América. A menos que voltemos
às nossas raízes Católicas, a América - a grande cidade sobre a colina - será primeiro
colocada em uma posição onde ela vai fazer mais para receber o Anticristo e sua
Nova Ordem Mundial que conduzi-lo de volta ao mar; e então ela será destruída.
Convido o leitor a prosseguir com uma mente aberta. Os mitos
e contos de fadas para adultos com os quais todos nós temos sido alimentados
por duzentos anos ou mais, são quase impossíveis de superar para muitos
sinceros e bons Católicos americanos. Mas se queremos saber o que realmente
está acontecendo no mundo hoje e o que realmente tem se levantado contra os nossos filhos, então devemos começar a olhar para além da história escrita pelos
vencedores Protestantes para ver quais forças têm trabalhado por muito tempo,
mesmo aqui na terra que nós amamos. Se você está pronto para fazer isso e
talvez até mesmo sofrer algumas escoriações dolorosas enquanto a venda é
removida dos seus olhos, então continue a ler...
MJM
___________________________________________________
A verdadeira fonte da democracia atéia que agora invade o
mundo e a Igreja não é difícil de descobrir, pois é revelada em um quadro vivo
que se desenrola diante dos olhos de qualquer leitor do capítulo 9 do
Apocalipse de São João: depois que o quinto anjo soa a trombeta anunciando a
grande era da heresia que agora chega ao clímax total no início do nosso
século XXI, o Apóstolo o vê receber uma chave para o "poço sem fundo"
do inferno. Quando o Anjo o abriu, "a fumaça do poço subiu como a fumaça
de uma grande fornalha, e o sol escureceu, e o ar", pela fumaça sufocante.
Podemos tomar isso para significar uma escuridão em todo o mundo em que as
certezas já não podem ser claramente percebidas, em que a luz divina tem sido
obscurecida, e o erro sufocante disseminado no próprio ar que respiramos. Em
1971 o Papa Paulo VI declarou que esta "fumaça de Satanás" tinha
penetrado de algum modo no Templo de Deus.
O espetáculo se relaciona diretamente com a profecia feita
por Nosso Senhor predizendo as tribulações do dia antes de Sua segunda vinda,
quando Ele "enviará os seus anjos com uma trombeta" e "o sol
escurecerá, e a lua não dará a sua luz" (Mt 24,29-31). Todo o ambiente
humano carregado e penetrado por um miasma gerado no inferno, a Igreja,
representada pela Lua, é prejudicada em seu ministério, e não é mais capaz de refletir
a verdade de Deus claramente para as nações. No encerramento de seu próprio
pequeno apocalipse confidenciado a Mélanie Calvat em La Salette, Nossa Senhora
declarou em 1846 que isso já estava acontecendo: "Está
na hora. O sol está escurecendo... O
tempo está próximo. O abismo está se abrindo", e previu:" Só a fé
vai sobreviver. "
Mas a fumaça ofuscante do poço não é o pior da infestação,
pois a visão do Apocalipse nos diz que fora de seus vagalhões jorram hordas de
"gafanhotos sobre a terra, e o poder foi dado a eles, como os escorpiões
da terra tem poder" de atormentar "os homens que não têm o sinal de
Deus em suas testas". Esses gafanhotos, que os Padres da Igreja geralmente
acreditam representar hereges violentos, são descritos como "cavalos
preparados para a batalha; e em suas cabeças há como coroas de ouro, e seus
rostos como rostos de homens. E tinham cabelos como cabelos de mulheres, e seus
dentes eram como dentes de leões, e eles tinham couraças de ferro, e o som das
suas asas era como o ruído de carruagens de muitos cavalos correndo em combate.
E tinham caudas semelhantes às dos escorpiões, e aguilhões nas suas caudas: e
seu poder era o de machucar os homens por cinco meses".
Em outras palavras essas criaturas, como os escorpiões da
terra, possuíam apenas um meio natural de fazer mal. Sem exercer nenhum poder
sobrenatural do céu, eles não só foram impedidos de fazer dano aos eleitos que
levavam o sinal de Deus, mas mesmo no que concerne às suas vítimas legítimas,
seu poder era limitado, pois "foi dado a eles que eles não deveriam matá-los,
mas atormentá-los por cinco meses: e seu tormento era semelhante ao
tormento do escorpião, quando fere o homem". Independentemente do período
de tempo que esses cinco meses significam, será terrível enquanto durar, pois o
texto passa a dizer que "naqueles dias os homens buscarão a morte e não a
acharão: e eles desejarão morrer, e a morte deve ir para longe deles".
Mais uma vez, Nossa Senhora fez eco dessas palavras em La
Salette, quando ela disse: "Os homens batem suas cabeças contra as
paredes, pois eles vão chamar a morte, mas a morte constitui o seu tormento;
sangue correrá por todos os lados. Quem poderia vencer, se Deus não diminuísse
o tempo de julgamento?". E o próprio nosso Senhor já havia previsto "A
menos que aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria: mas
por causa dos eleitos, aqueles dias serão abreviados" (Mat. 24,22). Apesar
de serem meramente temporais e confinadas à ordem natural, a dor e a devastação
causadas pelos gafanhotos serão quase insuportáveis.
Ao passo em que os eventos históricos se desdobram no palco
mundial, o simbolismo da visão de São João se torna cada vez mais claro. Um
detalhe salta de forma grave acima de todo o resto, e que é o das coroas de ouro na
cabeça dos gafanhotos. Elas não são como as que foram usadas pelos vinte e quatro anciões retratados em outras partes do
Apocalipse, que lançaram-se diante do trono de Deus reconhecendo, "Digno
és, ó Senhor, nosso Deus, de receber glória, honra e poder: porque Vós criaste
todas as coisas!" (4,10-11). As usadas pelos
gafanhotos permanecem firmemente fixas em suas cabeças e, além disso,
são descritas apenas "como se fossem" de ouro. Em outras palavras,
elas são feitos de algo que parece ser ouro, mas realmente não é. Parece,
portanto, que as coroas dos gafanhotos "são, mesmo com todo seu brilho,
falsificadas. Elas são símbolos falsos da verdadeira autoridade que a coroa se
destina a representar e que só pode ser concedida a partir de cima. Como diz
São Paulo, "não há nenhum poder, a não ser o de Deus" (Rm 13,1).
Um retrato mais gráfico do ataque da cobiça desenfreada por
auto-governo que agora assola a terra, dificilmente pode ser melhor imaginado que estas tropas unissex de gafanhotos coroados "com rostos de
homens," e "cabelos como cabelos de mulheres", cada um igual ao
outro, mas cada um sendo um mini-rei por direito próprio. No entanto, apesar de
suas coroas individuais e sua aparência de autonomia, a Escritura tem o cuidado
de nos informar que "eles tinham sobre eles um rei". E este rei, nos
é dito, não é outro senão "o Anjo do abismo, cujo nome em hebraico é
Abadom, e em grego Apollyon, em Latim Exterminans" que o texto sagrado diga
o nome desse líder nas mesmas três línguas litúrgicas nas quais o título de Jesus
Nazaré como Rei dos judeus foi inscrito na Cruz não pode ser por acaso. Parece que
é especificamente para designar a contraparte satânica de nosso Senhor, o
Anticristo, cujo nome em todas as línguas é "Destruidor", a sua
missão essencial é a destruição do reino de Cristo na terra.
Seu advento terá sido bem preparado por democracia
militante, a revolta sistemática contra Deus que começou quando a quinta
trombeta anunciou os primeiros sinais do Protestantismo e o homem moderno
começou a reivindicar o direito de adorar o que quisesse e interpretar as
Escrituras por si mesmo à luz de seu próprio intelecto. O mesmo espírito
independente, gradualmente penetrou todos os domínios da aprendizagem, que um
por um se separaram da luz benéfica da revelação e começaram a operar por conta
própria, gerando grandes erros científicos e sociais de todos os tipos.
Aos poucos, o novo homem libertado empreendeu a criação de toda uma nova
realidade para si mesmo, incubada em sua própria mente separada e presumivelmente
melhor do que a realidade criada para ele por Deus. Ele deslocou a Terra como o
centro do universo, substituindo-a primeiro pelo sol, e logo por nada. A matéria
começou a se mover por si mesma de acordo com suas próprias atrações, sem
propulsão espiritual externa, e logo foi creditada com o poder de produzir
vida. O absoluto tornou-se relativo do dia para a noite, não só na esfera
material, mas na moral também.
Após a descoberta da eletricidade, todo um mundo novo feito pelo
homem com base nestas idéias inovadoras e operado por uma fonte de energia
completamente nova surgiu. Substâncias naturais criadas por Deus para uso do
homem na terra estão agora em todos os lugares sendo trocadas por substitutos artificiais "melhores"
inventados por meios humanos, os mecânicos começaram a
substituir os orgânicos por toda parte em ritmo acelerado. Na vida pública
comum, os cavalos foram substituídos por automóveis e os empregados domésticos
por aparelhos mecânicos. Impressionado com as maravilhas de seu próprio
progresso em prover por si mesmo, o homem encontrou cada vez menos razões para
recorrer à Providência divina. Todo o reino do sobrenatural torna-se redundante
na melhor das hipóteses, e é hoje considerado por muitos como inexistente, a
tal ponto que o New York Times de 12 outubro de 2003 pôde exibir um artigo de
um correspondente da Cidade Santa de Roma declarando para o mundo, "A Fé Esmaece
Onde Antes Flamejava Com Força".
+
Sendo esse o estado das coisas, era de se esperar que o desejo
de liberdade do ser humano encontrasse expressão política. Como Auguste Comte
apontou, idéias revolucionárias não são nada mais do que a aplicação social do
princípio da liberdade religiosa. O subjetivismo religioso do Protestantismo
automaticamente impediu a imposição de qualquer ordem transcendente sobre a política,
ao que o povo logo se tornou sua própria fonte de autoridade soberana. Pregando
um evangelho de liberdade e direitos humanos separados de Deus e da Igreja que
Ele instituiu, uma nova forma de governo artificial desprovida de qualquer
restrição moral logo foi inventada por homens inspirados pelas hordas de
gafanhotos do inferno.
[Essa forma de governo] formalmente inaugurada como os Estados Unidos da América provou ser uma verdadeira "abomi-Nação", uma encarnação social do primordial Non serviam pelo qual Lúcifer primeiro
declarou a independência de Deus no céu. Infectando nação após nação com a nova
satânica democracia, tem até agora conseguido subtrair quase todas as
sociedades humanas organizadas do domínio de Cristo Rei e da Igreja que
Ele fundou. Um dos seus Presidentes, Woodrow Wilson, que foi o pai da primeira internacional Liga
das Nações moldada à sua imagem, resumiu o seu apostolado, assim:
"A América tem em si uma energia espiritual com a qual nenhuma outra
nação pode contribuir para a libertação da humanidade. A democracia é uma
religião. Os americanos são agora missionários para o mundo, o seu Presidente
um sacerdote!" [Nota do Editor: Este é o mesmo Presidente que ignorou os
apelos do Papa Bento XV para a paz e que rejeitou o plano de paz brilhante do
grande Católico Imperador Carlos I da Áustria-Hungria no exato momento em que a
I Guerra Mundial estava em andamento. (O Imperador Carlos I foi recentemente
canonizado como santo). Na época, o Imperador tinha contrariado a vontade do
Kaiser, insistindo em tentar lidar com os Estados Unidos para estabelecer a paz
na Europa. Este último dos grandes imperadores do Sacro Império Romano foi um
dos que realmente queriam paz, e se ele tivesse sido ouvido, teria salvado a
Europa. E por que o presidente Wilson rejeitou o plano de paz do Imperador?
Porque, como Wilson coloca, o Imperador Charles não era um "líder eleito"...
a Áustria não era uma democracia. Carlos foi derrotado, a Europa mergulhou no
caos, a União Soviética estava pronta para atacar, as sementes do brutal e ateu
nazismo foram plantadas, e milhões e milhões perderam suas vidas. O Sacro
Império Romano arfou sua última tentativa de impedir a Grande Guerra, que foi tão
diligentemente ajudada na mesa de parto da Nova Ordem Mundial. MJM]
A propagação de uma república universal sem Deus, cujo único
Evangelho é a liberdade, foi predita há quatro séculos por Nossa Senhora do Bom
Sucesso a uma freira Concepcionista em Quito, Equador. Ela lhe disse que durante
os séculos XIX e XX gradualmente seria "apagada a luz preciosa da Fé nas
almas pela corrupção quase total dos costumes." Mais tarde, em La Salette,
ela recorda a Mélanie Calvat alguns dos resultados esperados: "Com a Fé santa
de Deus esquecida, cada indivíduo vai querer orientar-se e elevar-se acima de seus
pares. A autoridade civil e eclesiástica será abolida, toda a ordem e a justiça
serão pisadas. Somente assassinatos, ódio, inveja, mentira e discórdia serão
vistos, sem amor à pátria ou à família... Governos civis terão todos o mesmo objetivos,
que será abolir e fazer todos os princípios religiosos desaparecerem para dar
lugar ao materialismo, ateísmo, espiritismo, e aos vícios de todos os tipos."
Vamos nos apressar em dizer neste momento que a democracia
satânica moderna está longe de ser o tipo de democracia que dominou em tempos
clássicos como, por exemplo, na Grécia antiga, onde ela repousava sobre uma
base escrava enorme e era restrita a um número relativamente pequeno de
cidadãos privilegiados comprometidos com uma religião de Estado comum. Está
ainda mais longe da democracia limitada que sempre foi praticada na Cristandade
em todos os níveis da sociedade em componentes menores do governo dentro do
grande quadro hierárquico ditado pela lei natural. Monges nos seus
mosteiros, por exemplo, eram muitas vezes livres para eleger seus superiores,
mas uma vez que os haviam designado, eles não tinham poder para depô-los,
sendo isso prerrogativa exclusiva da autoridade superior. Subalternos controlarem
seus superiores uma vez que eles foram eleitos e, especialmente, removê-los do
cargo - como a Democracia capacita as pessoas a fazer - teria sido rebeldia
pura e simples, e não seria tolerado.
Até os tempos modernos, o homem trabalhou sem a ilusão de
que a autoridade pode se originar a partir de baixo. Todos os governos do
mundo, mesmo entre pagãos, foram originalmente moldados, e eram de fato
derivados da família humana como criada por Deus. Sua estrutura era
estritamente hierárquica, com uma figura paterna na parte superior que exercia
a autoridade final como rei ou líder supremo sobre seus súditos, da mesma
maneira que um pai governava sua esposa e filhos. Isso não significa que a
autoridade podia ser exercida de forma arbitrária, de acordo com o capricho
pessoal, pois o rei e todos abaixo dele estavam sujeitos (pelo menos
teoricamente) às mesmas leis morais e costumes nacionais.
A célula básica do governo nunca foi o indivíduo, mas a
família, que operava no nível mais baixo da sociedade como uma unidade política
em seu próprio direito. Sob seus superiores políticos imediatos, o pai era
legalmente responsável pelo comportamento de sua casa, e nos tempo dos romanos
possuindo até mesmo o direito de mandar seus filhos à morte. O princípio da
subsidiariedade desempenhou um papel importante em todo o corpo político, o que
significa que nenhuma autoridade superior deveria fazer o que a menor
autoridade poderia realizar por si mesma. Deus criou o corpo humano sobre este
princípio, como fez a família, onde cada membro é responsável por tarefas de
acordo com sua capacidade de realizá-las, e um bom governo é construído ao
longo de linhas semelhantes.
Na história dos EUA, a usurpação gradual dos direitos dos
estados cada vez mais por uma autoridade centralizada fornece um exemplo claro
e flagrante de como a desconsideração da subsidiariedade leva inevitavelmente, a
partir de qualitativos e quantitativos, para o totalitarismo. A Constituição
tentou evitar essa possibilidade, o último artigo na Declaração de Direitos diz: "Os poderes não delegados aos Estados Unidos pela Constituição,
nem proibidos por ela aos Estados, são reservados aos Estados respectivamente,
ou ao povo", mas ao longo dos anos, especialmente depois da sangrenta
Guerra Civil disputada sobre essa mesma questão, mais e mais poder foi
concentrado na autoridade federal em detrimento da autonomia dos estados, para
não mencionar os direitos dos indivíduos.
Onde o governo está firmemente ancorado na lei natural, o respeito
pelas diferenças individuais e locais é mantido mais facilmente, pois uma nação
é nada menos que uma família de famílias, e um império é uma família de
famílias nacionais. Todos vivem, respiram e crescem como organismos vivos sob
as leis descansando sobre o Quarto Mandamento que nos ordena a honrar não
apenas nossos pais, mas outros representantes da autoridade divina que governa
o universo e pelo qual todos os cidadãos são no final das contas responsáveis. Na grande maioria
dos casos, a suprema autoridade humana era hereditária, passando de pai para
filho como acontece na família, permitindo que os líderes implementassem
políticas de longo prazo sem a preocupação de reeleições periódicas ou mudanças
radicais de administração.
Alianças entre as nações foram cimentadas não tanto por
acordos legais como por casamentos entre as famílias dominantes, líderes entre
os quais viriam a ter os da dinastia Davídica designada por Deus para dirigir as
nações Cristãs. Além disso, a maioria dos herdeiros de tronos reais foi
submetida desde o berço a uma educação rigorosa projetada para prepará-los para
governar. Havia pouco ou nenhum governo por amadores, como nós temos hoje no “faça
você mesmo” da sociedade onde "você pode ser qualquer coisa que você quiser
ser", e onde celebridades públicas podem ser eleitas para os cargos mais
elevados.
Historicamente a monarquia hereditária produziu tão alto
grau de estabilidade, continuidade, coesão e prosperidade em toda a sociedade
humana como um todo, que São Tomás de Aquino foi levado a declará-la "o
melhor dos governos". Porque era humana não era perfeita, mas funcionou
muito bem. A monarquia Davídica Francesa, da qual todas as outras monarquias
Cristãs dependiam, foi fundada na Fé, no século V por Clóvis, rei dos francos, e
perdurou em sálica sucessão ininterrupta por quase 1400 anos. Se não fosse pelo
enxame de gafanhotos coroados transbordados do inferno, ela presumivelmente
teria permanecido no poder até agora.
+
A fonte imediata da mudança provou ser a Inglaterra, onde a democracia
satânica moderna foi idealizada. Ela irrompeu violentamente na Inglaterra com o
regicídio de Charles I. Os gafanhotos coroados aparentemente tinham encontrado a
mais preparada ferramenta para o seu fim entre os ingleses, o império que até
hoje não se considera parte da velha Europa Católica, e que como uma nação
ainda tem que se arrepender da execução criminal de Joana d'Arc, a santa enviada
por Deus para salvar a monarquia central francesa da usurpação Inglesa.
Prevendo pouco mais que um sucesso limitado para a democracia sob a monarquia
"constitucional" com uma religião de Estado que os ingleses tinham
acordado depois da queda de Cromwell e da Restauração de Carlos II, os
gafanhotos astutos deslocaram o seu centro de operações para as colônias
heréticas Inglesas calcadas estrategicamente (e ilegalmente, de acordo com o
direito internacional então em vigor) entre os territórios francês e espanhol
na América Católica.
Sua ideologia democrática logo lançou raízes, sendo transplantada
da metrópole por um punhado de radicais maçons Ingleses que esperavam
alcançar em novo terreno longe do centros políticos da Cristandade, o que até
agora tinha se provado impraticável em casa. De volta à Inglaterra, sob Henrique
VIII os gafanhotos já tinham efetuado a independência de uma nação da Igreja Católica,
mas na América, ao abrigo da rebelião contra o vestigial monarca George III -
um temente a Deus, correto Anglicano que odiava a Maçonaria -, eles picaram suas
vítimas confeccionando em nova roupa toda uma nova nação feita pelo homem, que
seria independente de qualquer religião em tudo, e cuja constituição escrita
proporcionaria o plano que inúmeros outros seguiriam.
Incitado pelo ferrão do escorpião de seus algozes do poço,
representantes de treze colônias britânicas em 04 de julho de 1776 que "reúnem-se
em Congresso Geral" e atuam exclusivamente "por autoridade do bom
povo dessas colônias", começam a emancipar-se do Deus da revelação pela
promulgação de uma declaração formal de independência da coroa britânica.
Evitando cuidadosamente qualquer referência a Jesus Cristo ou à Santíssima
Trindade, eles se contentaram a requisitar uma divindade sem nome designada
como "o Juiz Supremo do Mundo" para ratificar a "retidão de
nossas intenções" em suas decisões importantes.
Embora ele inicie com um apelo às "Leis da Natureza"
e "Deus da natureza", o documento passa a enunciar princípios falsos
que são na verdade diametralmente contrários ao direito natural: que todos os
homens são iguais e que são sua própria fonte de autoridade. Desprezando prova de apoio de qualquer espécie, os signatários da Declaração consideraram suficiente
afirmar que "nós celebraremos estas verdades como evidentes por si
mesmas", e passaram a enumerá-las, começando com três proposições: a de que
"todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de
certos direitos inalienáveis e que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca pela felicidade".
Podemos observar aqui que o primeiro rascunho da Declaração diz
"a busca da propriedade". De acordo com John Locke, um dos maiores arquitetos
da Democracia, o Estado não é uma instituição orgânica voltada para
necessidades humanas naturais derivando sua autoridade de Deus, mas um contrato
civil estabelecido entre os homens, pelo seu consentimento comum. Em seu Segundo
Tratado Sobre o Governo Civil, ele afirma ainda que "seu principal e maior fim... é a preservação de sua propriedade". Em outro lugar
ele diz: "A comunidade parece-me ser uma sociedade de homens constituída
apenas para a aquisição, preservação e ampliação dos seus próprios interesses
civis. Chamo de interesses civis: vida, liberdade, saúde e indolência do corpo.
E a posse de coisas externas, como dinheiro, terras, casas, móveis e coisas do gênero".
Em outras palavras, os homens são animais racionais, todos iguais
por natureza e que possuem um direito "inalienável" inato de governar
a si mesmos como lhes aprouver, sem buscar qualquer validação superior.
Eles têm ainda o direito e o dever de se rebelar contra qualquer regime que não aprovem ou que seja indevidamente oneroso. A Declaração canoniza a revolução
nos seguintes termos: "Para assegurar esses direitos, os governos são
instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos
governados, e sempre que qualquer forma de governo se torne destruidora de tais
fins, é direito do povo alterá-lo ou aboli-lo e instituir um novo governo,
baseando-o em tais princípios e organizando seus poderes de forma tal que lhe
pareça mais conveniente para realizar sua segurança e felicidade". Contra o
despotismo é de fato "seu dever abolir tais governos."
Esta é a democracia por excelência, um novo sistema político
todo construído sobre uma construção puramente racional existente inteiramente
na mente dos homens sem referência à maneira como as coisas realmente são. Em
um universo criado por Deus tendo a hierarquia como princípio, onde a
"estrela difere de estrela em glória" (1 Cor. 15,41) e há um "acima"
e "abaixo" para tudo, onde os peixes grandes comem pouco e não duas criaturas,
dos flocos de neve aos santos canonizados, onde nada foi feito para ser igual,
todos os homens foram subitamente e sumariamente declarados iguais. No esquema
democrático das coisas, qualquer mulher poderia ter sido a Mãe de Deus, e seu esposo
São José seria como qualquer outro homem.
O resto é história. Com a hierarquia nivelada, os verticais
foram horizontalizados. A autoridade que não mais parte de cima foi, como sua
inspiração satânica, elaborada a partir de baixo. As colônias em questão
rapidamente se transformaram em Estados autônomos e proclamaram-se Estados
Unidos da América, uma nação dedicada e construída sobre os falsos princípios
proclamados na Declaração. Pela própria natureza da sua Constituição falha, ele
carrega dentro de si as sementes de sua própria desintegração e morte. Antes que
um século houvesse passado, ele começou a desmoronar seriamente, sua unidade foi preservada apenas ao preço de um conflito sangrento que forçou a metade
da nação a submeter-se a outra na mira de uma arma. Que o monstro político
tenha durado tanto tempo, pois tem - embora não em sua forma original - só pode
ser atribuído aos restos da herança Cristã perseverando no corpo político e
ainda dando-lhe uma aparência de vida.
+
Sendo a função do governo promover o bem comum, os governos Cristãos
foram projetados para ordenar a vida temporal do homem sobre a terra, à vista
de seu destino eterno no céu. A Democracia, por outro lado, se livraria
totalmente dessa responsabilidade separando rigorosamente a Igreja e o Estado e
dedicando-se exclusivamente ao seu bem-estar material. A verdade não é
preocupação do governo. Como Locke observou: "O negócio das leis não é
prever a verdade de opiniões, mas a segurança da comunidade e dos bens de cada
homem e pessoa".
De acordo com a visão apocalíptica, os ferrões dos
gafanhotos tipo escorpiões são localizados "nas suas caudas",
indicando que o verdadeiro poder da Democracia para o mal se manifestaria não
tanto no primeiro contato, mas daria seus resultados a longo prazo. E assim
foi. Como uma ideologia baseada exclusivamente na razão humana, ela tem como
recurso para alcançar seus objetivos apenas os meios naturais à sua disposição,
mas nada mais é necessário para criar um clima totalmente novo a partir do qual
Deus e as coisas de Deus são impiedosamente excluídos. Confinada por lei ao
setor privado, a religião não era abertamente negada, mas passada como
politicamente irrelevante no cotidiano na vida pública de cada indivíduo.
Não sujeitando a si mesma, por princípio, a nenhum árbitro
moral de fora, a Democracia realmente criou o seu próprio Magistério,
capacitando um supremo tribunal composto por juízes nomeados por si só, para
determinar a retidão e a boa aplicação de suas leis. O certo e o errado sendo
reduzidos apenas ao que se considera "constitucional" ou
"inconstitucional", vícios brutos, tais como usura, divórcio, aborto,
contracepção e sodomia foram um por um inocentados de censura moral por simples
aprovação legal. O único "pecado" possível em tal quadro é a infração
da Constituição, tal como interpretada por esse órgão judiciário. Como o artigo
VI da própria Constituição claramente afirma: "Esta Constituição... é a
lei suprema do país". Nem mesmo os Dez Mandamentos podem excedê-la. De fato, exibi-los em quaisquer áreas do
tribunal é visto como uma violação da Constituição.
Como princípios que estruturam a vida social do homem, as
leis civis de uma nação são fatores poderosos na formação de seu pensamento e
comportamento. Elas podem de fato mudar toda a organização de seu ambiente.
Leis enraizadas nos Evangelhos têm o poder de elevar o nível de moralidade
pública e promover todas as virtudes Cristãs, ao passo que as leis decretadas
sem referência à verdade revelada são obrigadas a fazer exatamente o oposto. A
queda da moralidade com o advento da Democracia é fato registrado, e como a
Democracia continua a ganhar terreno no mundo inteiro, o nível de moralidade
cai para níveis cada vez mais baixos. O clero e outros líderes morais podem
protestar e ameaçar todos os que quiserem nos bastidores, mas eles não têm
poder legal para corrigir o que importa em uma sociedade onde a Igreja e o
Estado não desfrutam de relações de trabalho entre si.
Não foi sem razão que o beato Pio IX condenou solenemente no
seu Syllabus de Erros a proposição de que "A Igreja deveria ser separada
do Estado e o Estado da Igreja". Sua separação retirou qualquer
possibilidade de efetiva correção dos erros mortais sobre os quais repousa a
democracia. Um dos piores deles é o mito de que dada a igualdade de condições,
a verdade irá automaticamente prevalecer sobre o erro. O sucessor de Pio IX, Leão
XIII, vendo a liberdade que a Igreja desfrutou para pregar a fé nos Estados
Unidos, foi, infelizmente, levado a acreditar nisso.
Embora nunca tenha vacilado na doutrina tradicional, ele
cometeu um erro de julgamento prático, orientando os bispos franceses a
enfrentar os fatos e colocando a democracia como sistema político, esperando
que sob sua regra candidatos Católicos pudessem ser eleitos, que no devido
tempo iriam restaurar a sociedade Católica através da adoção de leis baseadas em
princípios Católicos. Os resultados dessa política logo se tornaram claros. Os
partidos Católicos gradualmente se desintegraram sob a força dos
compromissos que eles tinham que estabelecer com o inimigo para ganhar os cargos, e,
finalmente, desapareceu do cenário político completamente.
Quanto à fé nos EUA, quase desde o início caiu no Americanismo,
levada para um conluio fatal com os objetivos revolucionários da Democracia por
prelados, seguindo o exemplo de seu primeiro bispo John Carroll, amigo de
Benjamin Franklin. O Primaz ulterior, Cardeal Gibbons, acabaria por fixar em uma
Carta Pastoral para o Terceiro Concílio Plenário de Baltimore que "não há
antagonismo entre as leis, instituições e espírito de nosso país", e
"que os heróis do nosso país foram os instrumentos do Deus das Nações, ao
estabelecer esta casa da liberdade", negando que "há alguma coisa no
espírito livre de nossas instituições americanas incompatível com perfeita
docilidade à Igreja de Cristo". Em outras palavras, a fé que prosperou por
um tempo tão gloriosamente nos EUA não foi a fé Católica integrante dos
Apóstolos, mas uma diluída pelos falsos princípios de democracia.
A dura realidade é que a verdade deve ser protegida a fim de
sobreviver em sua integridade neste mundo. Se não for, será pisoteada até a morte
pelas mesmas forças que crucificaram Cristo. A Igreja Católica exige um Estado Católico
para protegê-la e aplicar as suas doutrinas à sociedade temporal. A sua cooperação
é o que produziu as glórias da Cristandade, que ainda seriam a nossa hoje se os
inimigos de Cristo não tivessem conseguido desmantelar o Estado Católico. Uma
vez que isso foi realizado, tiveram fácil acesso aos tesouros espirituais da
Igreja, de fato ao depósito da Fé em si, que foi a mola mestra da Cristandade. O
Cardeal Suenens falou verdadeiramente quando declarou que o Concílio Vaticano
II foi o "1789 na Igreja". Ele poderia facilmente ter dito "o
1776".
Um dos resultados mais deploráveis de declarar todos os
homens iguais foi a extinção da família como Deus a criou para ser. Não só foi
ela substituída pelo indivíduo como a unidade básica política da sociedade - negando-se
o papel político divinamente ordenado dos pais de família -, como foi destruída a
unidade interna da família nivelando sua estrutura hierárquica, fazendo do
casamento uma parceria em que os sexos são também iguais - não mais exercem
autoridade um sobre o outro. Além disso, sob o direito democrático, o casamento não
é reconhecido como um sacramento entre um homem e uma mulher, mas apenas como um
contrato civil entre indivíduos que desejam coabitar. Ele pode ser legalmente
dissolvido como qualquer outro compromisso desse tipo. Então, por que se
surpreender com o fato de que uniões do mesmo sexo agora estão buscando reconhecimento como casamentos
legais e reivindicando os mesmos benefícios sociais?
Nossa Senhora não declarou em Quito que a Maçonaria
"... vai promulgar leis iníquas, com o objetivo de acabar com esse
Sacramento, tornando mais fácil que todos possam viver em pecado, incentivando
a procriação de filhos ilegítimos nascidos sem serem incorporados à Igreja"?
Escusado será dizer que, como ela também apontou em Quito, a fim de alcançar a
corrupção generalizada, o novo sistema político "irá centrar-se nas
crianças... Ai dos filhos desses tempos! Vai ser difícil receber o Sacramento
do Batismo e também o da Confirmação. Fazendo uso de pessoas com autoridade, o
diabo vai assiduamente tentar destruir o Sacramento da Confissão... O mesmo vai
acontecer com a Sagrada Comunhão".
Como sabemos, por força dos princípios igualitários que
professavam, os governos democráticos foram atraídos para estabelecer sistemas
de ensino públicos voltados a proporcionar igualdade de oportunidades
educacionais para todas as crianças indiscriminadamente, e isso em escolas onde
o ensino religioso é rigorosamente excluído, onde qualquer semelhança com formação
moral deve ser limitada a uma imposição dura e tacanha dos chamados valores "sociais".
Os resultados nocivos não precisam ser enumerados. Eles podem ser resumidos apenas
observando que, hoje, uma presença policial é necessária para manter a ordem
entre os jovens nessas supostas salas de aprendizagem.
Outro efeito a longo prazo de declarar todos os homens
iguais que merece menção, e que geralmente é esquecido, é a cobertura emancipada
de judeus, pagãos e ateus, que até a ascensão da democracia e da abolição do juramento
Cristão de posse, eram negados a ter um papel ativo no governo das nações Cristãs.
Como, de fato, se poderia esperar que as pessoas que negam Cristo fossem ajustadas, e
muito menos conscientemente cumprissem as leis que são essencialmente
enraizadas no espírito do Evangelho? Prestando-lhes a igualdade com os cidadãos
Cristãos, a Democracia não só permitiu que as forças profundamente anti-Cristãs
corressem soltas nas veias da sociedade, mas na verdade deu-lhes poder de
legislar para os Cristãos, em muitos casos, exercendo autoridade legal sobre
eles. É de se admirar que todas as nações Católicas têm sofrido progressiva
descristianização, com a substituição dos valores sobrenaturais Católicos sobre
as quais essas nações tinham sido fundadas, pela ética judaizada, pagã?
+
Usurpando o lugar de Deus Pai, do Filho e do Espírito Santo, arrogando
a si mesmos por sua própria autoridade os poderes executivo, legislativo e judiciário
próprios da divindade, a Democracia fez uma paródia do quarto mandamento sobre
o qual repousa todo verdadeiro governo, e a Escritura ensina-nos que a punição
específica por infringir este mandamento é nada menos do que a escravidão. Por mostrar desrespeito a
seu pai Noé, rindo em sua nudez embriagada, Cam e toda sua posteridade incorreram
na maldição paterna que o declarou "um servo dos servos... aos seus irmãos"
(Gn 9,25). Como a escravidão é a conseqüência adequada de diminuir a autoridade
de Deus Pai, mesmo em seus representantes na terra, é uma conclusão necessária
que a Democracia vai levar o mundo inteiro a servidão forçada de um tipo jamais
visto antes.
Os Estados Unidos, a tão alardeada "Terra dos livres",
que nomeou a si mesma para pregar a liberdade em todo o mundo e se elevou a
liderança mundial pelo poder demoníaco dos gafanhotos coroados da democracia,
está visivelmente se tornando a "Casa dos escravos". Todo o tempo
exaltando as bênçãos do auto-governo, os seus cidadãos estão forjando para si
algemas jurídicas e econômicas que eventualmente irão atar não só todos os seus
movimentos, mas os seus pensamentos, e nesse ponto mesmo agora eles estão
aprendendo a viver suas vidas sob vigilância eletrônica constante. Quantos
americanos conseguem ganhar a vida hoje sem fazer uma espécie de contrato de
vassalagem de seus corpos, se não de suas almas, para a "loja da empresa"?
Apesar de todos os sucessos ofuscantes do processo
democrático, o direito natural, no entanto, é obrigado a se reafirmar, porque a
lei natural é a verdadeira realidade e não há nenhuma contradição nisso.
Operando invisivelmente por todos os canais do eleitorado, não são eleitas
legislaturas, mas dinastias de famílias abastadas, que já encabeçam poderosas
oligarquias que realmente ditam as políticas nacionais e internacionais,
guiando o curso dos governos nos bastidores. Historicamente as democracias têm,
inevitavelmente, acabado em ditadura, pois, como qualquer outro organismo vivo
do corpo político, não pode ser governado por seus pés e permanecer funcionando
por muito tempo. Deve ter uma cabeça para dirigir suas operações, e a grande Democracia
mundial que agora vai se formando não pode ser exceção.
Suplicando, por instinto natural, por um monarca no qual a
liderança pode ser concentrada e exercida sobre o que está abaixo dela, deve
muito em breve ser aclamado pelo voto democrático o governo do “Supremo senhor
de escravos”, o "filho da perdição" profetizado nas Escrituras, que é
o Rei Anticristo. Em La Salete, Nossa Senhora caracteriza-o como "o diabo
encarnado" e mesmo assim declarou sua chegada iminente, contando à jovem
pastora Mélanie: "Aqui está o rei dos reis das trevas. Aqui está a besta
com seus súditos, que se autodenomina o salvador do mundo!". Na próxima era,
aparecendo à frente e pronta para ser anunciada pela explosão da Sexta
Trombeta, pode-se esperar, portanto, testemunhar uma declaração formal de
independência do Criador por parte de toda a humanidade sob o governo do
Anticristo, o rei triplo-intitulado dos gafanhotos infernais, o "Anjo do
abismo".
Ele vai resumir a democracia em sua pessoa tanto quanto um
de seus protótipos, Napoleão Bonaparte, resumiu a Revolução Francesa,
declarando "La Revolution, c'est moi!".
Sendo "levantado acima de tudo que se chama Deus ou é objeto de adoração...
mostrando-se como se ele fosse Deus" (2 Ts. 2,4), ele irá personificar o
mesmo espírito arrogante da Democracia, que durante a Paixão de Nosso Senhor
votou a favor da libertação do ladrão Barrabás ao invés do inocente Cristo
Redentor.
Os evangelistas dizem-nos que quando Pôncio Pilatos -
sentado no trono de julgamento no salão do governador - perguntou ao eleitorado
reunido diante dele: "Que farei então com Jesus que é chamado
Cristo?", responderam todos, por unanimidade: "Seja crucificado!".
Quando Pilatos não achou "nenhuma causa de morte nele", tentou
argumentar com eles, mas "eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse
crucificado, e suas vozes prevaleceram... Fora com ele, acabe com ele.
Crucifica-o!” (Mateus 27,22, Lucas 23,23, João 19,15). Agora a democracia está em
ação, perseguindo abertamente o objetivo para o qual foi forjada desde o início:
se livrar de Deus!
Original aqui.
Gostou? Clique no link abaixo e conheça o blog que publicou essa postagem!
A democracia global e a ascensão do Anticristo
Curta a página do Guia de Blogs Católicos no Facebook clicando aqui.
Curta a página do Guia de Blogs Católicos no Facebook clicando aqui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário