Sendo homem te fazes Deus! (Jo 10,33)

Sendo homem te fazes Deus! (Jo 10,33)
Vitae Fratrum Ordinis Praedicatorum  /  Frei José Carlos Lopes Almeida, OP

Uma vez mais as pedras estão nas mãos, um ódio de morte trespassa os olhos daqueles homens que diante das palavras apenas encontram uma blasfémia:
"Tu sendo homem te fazes Deus"!
Que escândalo para os ouvidos e para os corações empedernidos, um homem que se quer fazer Deus, mas que alegria e que paz para aqueles que buscam a verdade, que de coração contrito procuram a fonte que pode saciar a sua sede e aliviar a sua dor.
Sagrada blasfémia que nos abre a porta e nos conduz de regresso à nossa verdadeira identidade, que nos abre os olhos para o Pai que nos espera de braços abertos desde toda a eternidade.
Desta forma não podemos deixar de assumir como nossa e de a procurar viver em toda a sua radicalidade esta blasfémia de Jesus. Também nós temos que assumir diante dos homens e face às pedras que matam que somos deuses, que também a nós o Pai se dirige nos dizendo, "sois meus filhos muito amados".
Somos deuses porque fomos criados à sua imagem e semelhança, somos deuses porque o seu Espirito habita em nós, somos deuses porque no nosso coração e na nossa vida a força do amor nos conduz, somos deuses porque o Verbo habitou a nossa carne e restaurou em nós a face divina desfigurada pelo pecado, somos deuses porque Deus nos ama infinitamente.  
E na nossa carne limitada e finita, nos nossos corpos tantas vezes desfigurados e abandonados, ultrajados ou violentados, tal como no corpo de Jesus exposto na cruz aos olhares dos algozes, somos desafiados a encontrar-nos com a nossa divinidade, a nossa e a dos nossos irmãos.
O convite a contemplar a cruz na Semana Santa que se aproxima, o rosto desfigurado de Jesus e o seu corpo suspenso na cruz, é um convite a fazer a experiência do esplendor e da vida divina que se esconde sobre os andrajos da nossa humanidade, a vê-la presente quando aos nossos olhos parece ausente.

Ilustração:
"Jesus carregando a cruz", de Niccolò Frangipane, Museu Carmen Thyssen, Málaga.


Original Article: http://vitaefratrumordinispraedicatorum.blogspot.com/2015/03/sendo-homem-te-fazes-deus-jo-1033.html



Superando a tristeza

Superando a tristeza
O BANQUETE DA PALAVRA  /  José Luís Rodrigues

E assim com este texto de uma admirável e grande figura, Dom Helder Camara, começo a preparar-me para este próximo domingo...
Por que ficar triste?
Uns poderiam dizer: não consegui o que queria.
Outros afirmariam: ocorreu-me uma desgraça.
Um terceiro aduziria: perdi a graça pela vida.
E tantos outros motivos afora.
Estas razões para a tristeza têm um porquê, mas deveríamos permanecer neste estado de desalento por muito tempo?
Não seria melhor levantar a cabeça e tocar as coisas sabendo que elas são do jeito que são e devemos apenas aprender com tudo que aconteceu?
É difícil passar por situações desagradáveis, ser vítima de algo desastroso, no entanto, a vida continua e ficar macerando a dor não vai dar em nada.
Algo precisa ser feito quando se está triste para que isto não contamine os outros ao seu redor. 
"Tristeza não tem fim, felicidade sim", dizia a boa música de Tom Jobim.
Parece mesmo, mas devemos mudar esta tendência, dar um ponto final à tristeza.
A tristeza profunda pode virar uma melancolia ou mesmo principiar uma depressão. 
Enroscasse numa espiral negativa que realmente se torna difícil sair, então, o remédio é agir logo.
Onde encontrar as forças para sair da tristeza?
Em você mesmo, ora. De tudo que pode ter ocorrido não há motivo maior do que procurar exatamente o inverso do ocorrido: buscar a alegria de viver.
O âmparo de Deus Pai, a colaboração dos espíritos amigos, daí e daqui, são fundamentais para não fincar os pés no poço da tristeza.
Podemos e devemos sair do estado de tristeza para o nosso próprio bem. Se entregar à adversidade não é bom raciocínio. Mostrar-se como coitado será pior. Reagir é a solução.
Não digo que a tristeza seja de todo mal. Há momentos em que ela é até saudável, mas devemos dosá-la para não se tornar uma rotina.
Chorar a morte de alguém querido, por exemplo, que lhe foi e é muito caro não tem nada demais. Se esta pessoa te fez bem, se ainda te traz na mente momentos vividos com ela e ficar momentaneamente triste por causa disso é demonstração de amor a quem partiu. A distorção está em fazer disso uma espécie de caçimba e se enfiar nela sem querer mais sair, entendeu?
Pois bem, você que me lê neste momento e, eventualmente, está num estado de tristeza, levante a cabeça, olhe para frente, descruze os braços, busque dar um sorriso, veja o sol, passeie na praia e tome um banho de mar, veja o nascer das manhãs, seja cúmplice dos belos momentos que a natureza nos contempla. Ela nos ensina, do seu jeito grandioso, que devemos renascer a cada dia. Tudo funciona em ciclos, vai e vém. O motivo que fez instalar a tristeza em você veio, mas agora deve ir embora.
Renove-se por dentro, projete seu futuro, saia das amarras do que te prende ao ontem, refaça a sua vida.
Chore quando preciso, mas alimente-se de alegria.
Você terá todas as condições de sair do seu estado atual e encontrar novas razões para viver, seja qual for o motivo que te levou a ficar triste.
Deus sorri sempre para você, então siga os passos divinos e torne-se uma pessoa feliz.
Um abraço,
In Novas Utopias, Textos do espírito de Helder Camara.


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Domingo de Ramos: o portal da Semana Santa

Domingo de Ramos: o portal da Semana Santa
Instituto Santa Família  /  Instituto Santa Família


O Domingo de Ramos é o grande portal de entrada na Semana Santa, a semana em que o Senhor Jesus caminha até ao ponto culminante da sua existência terrena. Ele sobe a Jerusalém para dar pleno cumprimento às Escrituras e ser pregado no lenho da cruz, o trono donde reinará para sempre, atraindo a Si a humanidade de todos os tempos e oferecendo a todos o dom da redenção. Sabemos, pelos Evangelhos, que Jesus Se encaminhara para Jerusalém juntamente com os Doze e que, pouco a pouco, se foi unindo a eles uma multidão cada vez maior de peregrinos. São Marcos refere que, já à saída de Jericó, havia uma «grande multidão» que seguia Jesus (cf. 10, 46).

Jesus chega a Jerusalém vindo de Betfagé e do Monte das Oliveiras, isto é, seguindo a estrada por onde deveria vir o Messias. De Betfagé, Ele envia à sua frente dois discípulos, com a ordem de Lhe trazerem um jumentinho que encontrarão no caminho. De fato encontram o jumentinho, soltam-no e levam-no a Jesus. Naquele momento, o entusiasmo apodera-se dos discípulos e também dos outros peregrinos: pegam nos seus mantos e colocam-nos uns sobre o jumentinho e outros estendidos no caminho por onde Jesus passa montado no jumento. Depois cortam ramos das árvores e começam a apregoar expressões do Salmo 118, antigas palavras de bênção dos peregrinos que, naquele contexto, se tornam uma proclamação messiânica: «Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai David! Hosana no mais alto dos céus!» (vv. 9-10). Esta aclamação festiva, transmitida pelos quatro evangelistas, é um brado de bênção, um hino de exultação: exprime a convicção unânime de que, em Jesus, Deus visitou o seu povo e que o Messias ansiado finalmente chegou. E todos permanecem lá, numa crescente expectativa da ação que Cristo realizará quando entrar na sua cidade.
 
Voltando à passagem do Evangelho de hoje, perguntemo-nos: Que pensavam, realmente, em seus corações aqueles que aclamam Cristo como Rei de Israel? Certamente tinham a sua idéia própria do Messias, uma idéia do modo como devia agir o Rei prometido pelos profetas e há muito esperado. Não foi por acaso que a multidão em Jerusalém, poucos dias depois, em vez de aclamar Jesus, grita para Pilatos: «Crucifica-O!», enquanto os próprios discípulos e os outros que O tinham visto e ouvido ficam mudos e confusos. Na realidade, a maioria ficara desapontada com o modo escolhido por Jesus para Se apresentar como Messias e Rei de Israel. É precisamente aqui que se situa o ponto fulcral da festa de hoje, mesmo para nós. Para nós, quem é Jesus de Nazaré? Que idéia temos do Messias, que idéia temos de Deus? Esta é uma questão crucial, que não podemos evitar, até porque, precisamente nesta semana, somos chamados a seguir o nosso Rei que escolhe a cruz como trono; somos chamados a seguir um Messias que não nos garante uma felicidade terrena fácil, mas a felicidade do céu, a bem-aventurança de Deus. Por isso devemos perguntar-nos: Quais são as nossas reais expectativas? Quais são os desejos mais profundos que nos animaram a vir aqui, hoje, celebrar o Domingo de Ramos e iniciar a Semana Santa?

Queridos irmãos e irmãs, dois sentimentos nos animem particularmente nestes dias: o louvor, como fizeram aqueles que acolheram Jesus em Jerusalém com o seu «Hosana»; e a gratidão, porque, nesta Semana Santa, o Senhor Jesus renovará o dom maior que se possa imaginar: dar-nos-á a sua vida, o seu corpo e o seu sangue, o seu amor. Mas um dom assim tão grande exige que o retribuamos adequadamente, ou seja, com o dom de nós mesmos, do nosso tempo, da nossa oração, do nosso viver em profunda comunhão de amor com Cristo que sofre, morre e ressuscita por nós. Os antigos Padres da Igreja viram um símbolo de tudo isso num gesto das pessoas que acompanhavam Jesus na sua entrada em Jerusalém: o gesto de estender os mantos diante do Senhor. O que devemos estender diante de Cristo – diziam os Padres - é a nossa vida, ou seja, a nós mesmos, em sinal de gratidão e adoração. Para concluir, escutemos o que diz um desses antigos Padres, Santo André, Bispo de Creta: «Em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de arbustos que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu vigor, prostremo-nos nós mesmos aos pés de Cristo, revestidos da sua graça, ou melhor, revestidos d'Ele mesmo (…); sejamos como mantos estendidos a seus pés (…), para oferecermos ao vencedor da morte não já ramos de palmeira, mas os troféus da sua vitória. Agitando os ramos espirituais da alma, aclamemo-Lo todos os dias, juntamente com as crianças, dizendo estas santas palavras: "Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel"» (PG 97, 994). Amém!

Trechos da Homilia do Papa Bento XVI, proferida na Praça de São Pedro, no Domingo de Ramos de 2012.


Original Article: http://santafamiliabr.blogspot.com/2015/03/domingo-de-ramos-o-portal-da-semana.html



CNBB reclama.

CNBB reclama.
Fratres in Unum.com  /  G. M. Ferretti

Por Lauro Jardim | Veja.com – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil entrou com um questionamento ontem no STF contra a demora do ministro Gilmar Mendes para pôr em votação a proibição do financiamento privado de campanha. Há um ano, Mendes segura o processo em seu gabinete.

Original Article: http://fratresinunum.com/2015/03/27/cnbb-reclama/



Renega-te a ti próprio, toma a tua cruz e segue Jesus

Renega-te a ti próprio, toma a tua cruz e segue Jesus
Senza  /  João Silveira

A muitos parece dura esta palavra : «Renega-te a ti próprio, toma a tua cruz e segue Jesus.» 

Porque temes levar a cruz, pela qual se vai ao Reino? Na cruz está a salvação; na cruz, a vida; na cruz, a protecção dos inimigos; na cruz se derrama toda a suavidade do alto; na cruz, a força do espírito; na cruz, a alegria da alma; na cruz, a suprema virtude; na cruz, a perfeição da santidade. Não há salvação da alma nem esperança da vida eterna senão na cruz. Pega, pois, na tua cruz e segue-O: caminharás para a vida eterna. Se morreres com Ele, também com Ele viverás (cf Rom 6,8). E, se fores seu companheiro no sofrimento, também o serás na glória.

Eis que tudo consiste na cruz; não há outro caminho para a vida e para a verdadeira paz interior. Anda por onde quiseres, procura o que desejares, não encontrarás mais elevado caminho no alto, nem mais seguro cá em baixo, do que o caminho da santa cruz.

Dispõe e ordena tudo segundo o que queres e vês; não encontrarás nada onde não haja que sofrer, voluntária ou necessariamente, e assim sempre encontrarás a cruz. Ou sofrerás dores no corpo, ou encontrarás tribulações na alma. Umas vezes serás abandonado por Deus, outras serás afligido pelo próximo e, pior ainda, muitas vezes pesar-te-ás a ti mesmo; e não poderás ser libertado ou aliviado com qualquer remédio ou consolação. Deus quer que aprendas a suportar o sofrimento sem consolações, que te submetas a Ele totalmente e te tornes mais humilde pela tribulação. 

E é necessário que tenhas paciência, se queres possuir a paz interior e merecer a coroa imortal.

in Imitação de Cristo, Livro II, capítulo 12


Original Article: http://senzapagare.blogspot.com/2015/03/renega-te-ti-proprio-toma-tua-cruz-e.html