As Sete dores de Maria

As Sete dores de Maria
Um simples servo de Cristo  /  Anderson Ribeiro

Nesta Semana das Dores, iremos meditar acerca das Dores de Nossa Senhora. As Dores de Nossa Senhora nos comovam o coração, impulsionando-nos para a prática do bem.

  1ª. Dor - Apresentação de meu Filho no templo

Nesta primeira dor veremos como o coração de Maria Santíssima foi transpassado por uma espada, quando Simeão profetizou que o Filho dela seria a salvação de muitos, mas também serviria para ruína de outros. A virtude que aprendemos nesta dor é a da santa obediência. Sejamos obedientes aos superiores, porque são eles instrumentos de Deus.

Quando soube que uma espada lhe atravessaria a alma, desde aquele instante Maria experimentou sempre uma grande dor, mas sempre olhava para o Céu e dizia: 'Em vós confio'. Quem confia em Deus jamais será confundido. Em nossas penas, angústias, confiemos em Deus e jamais nos arrependeremos dessa confiança.

Quando a obediência nos trouxer qualquer sacrifício, confiando em Deus, a Ele entreguemos nossas dores e apreensões, sofrendo de bom grado por amor. Obedeçamos não por motivos humanos, mas pelo amor Daquele que por nosso amor se fez obediente até a morte de Cruz. 

2ª. Dor - A fuga para o Egito

Irmãos, quando Jesus, Maria e José fugiram para o Egito, foi grande dor saber que desejavam matar o seu filho, aquele que trazia a salvação! Maria não se aflige pelas dificuldades em terras longínquas; mas por ver seu filho inocente perseguido, por ser o Redentor. Maria suportou o exílio por amor e por alegria por Deus fazer dela cooperadora do mistério da salvação. No exílio Maria sofreu provocações, mas as portas do Céu futuramente abriam para Maria. Esta dor nos ensina a aceitar as provocações do dia-a-dia com alegria de quem sofre para agradar a Deus. Esse agir e esse procedimento chamam-se santidade. No meio da dor sofrem os infelizes, entregam-se ao desespero, porque não têm a amizade divina, que traz paz e confiança em Deus. Por isso, somos convidados a aceitar os sofrimentos por amor a Deus. Exultemos de alegria, porque grande é o nosso merecimento, assemelhando-nos a Jesus Crucificado, que tanto sofreu por amor a vossas almas! 

3ª. Dor - Perda do Menino Jesus

Maria procurou Jesus por três dias. Maria tinha consciência de que Ele era o Messias prometido. Quando o encontrou no Templo, no meio dos doutores, ao dizer-lhe que havia deixado sua mãe três dias em aflição, ele respondeu-lhe: "Eu vim ao mundo para cuidar dos interesses de meu Pai, que está no Céu". À esta resposta do meigo Jesus, Maria emudeceu e compreendeu que sendo o seu Filho, Homem e Deus, aquele que salva assim deveria proceder, submetendo a sua vida à vontade de Deus, que muitas vezes nos fere em proveito de nossos irmãos.

Jesus deixou Maria por três dias angustiada para proveito da salvação. Aqui devemos contemplar as mães que choram, ao verem os seus filhos generosos ouvirem o chamamento divino, aprendendo com Maria a sacrificar o seu amor natural. Se seus filhos forem chamados para trabalhar na vinha do Senhor, não abafem tão nobre aspiração, como é a vocação religiosa. Mães e pais dedicados, ainda que o seu coração sangre de dor, deixem seus filhos partirem, deixem corresponder aos desígnios de Deus, que usa com eles de tanta predileção. Pais que sofrem, ofertem a Deus a dor da separação, para que seus filhos, que foram chamados, possam ser na realidade bons filhos Daquele que os chamou. Lembrem-se que seus filhos a Deus pertencem e não a vocês. Devem criá-los para servir e amar a Deus neste mundo, e um dia no Céu O louvarem por toda a eternidade.

Pobres aqueles que querem prender seus filhos, abafando-lhes a vocação! Os pais que assim procedem podem levar seus filhos à perdição eterna e ainda terão que dar contas a Deus no último dia. Porém, protegendo suas vocações, encaminhando-os para tão nobre fim, que bela recompensa receberão estes pais afortunados! Ainda que aqui chorem de saudades e a separação lhes custe muitas lágrimas, eles serão abençoados! E vocês, filhos prediletos chamados por Deus, procedam como Jesus procedeu comigo: primeiramente obedeça à vontade de Deus, que os chamou para habitar na sua casa, quando diz: 'Quem ama seu pai e sua mãe mais do que a mim não é digno de Mim'. Vigiem se, por causa de um amor natural, deixam de corresponder ao chamado divino!

Almas eleitas chamadas e que sacrificam as afeições mais caras e a sua própria vontade para servir a Deus! Grande é sua recompensa. Avante! Sejam generosas em tudo e louvem a Deus por terem sido escolhidas para tão nobre fim.

Vocês que choram, pais, irmãos, regozijam-se, porque suas lágrimas um dia converter-se-ão em pérolas, como as de Maria Santíssima se converteram em favor da humanidade.

4ª. Dor - Doloroso encontro no caminho do Calvário

Contemplemos e vejamos se há dor semelhante à dor de Maria Santíssima, quando encontrou-se com seu divino Filho a caminho do Calvário, carregando uma pesada cruz e insultado como se fosse um criminoso.

'É preciso que o Filho de Deus seja esmagado para abrir as portas da mansão da paz!' Lembremo-nos de suas palavras e aceitemos a vontade do Altíssimo, nossa força em horas tão cruéis de nossa vida.

Ao encontrá-lo, Jesus fitou os olhos de Maria e a fez compreender a dor de sua alma. Não pôde dizer-lhe palavra, porém a fez compreender que era necessário que se unisse à Sua grande dor. Amados irmãos, a união da grande dor de Maria e Jesus nesse encontro tem sido a força de tantos mártires e de tantas mães aflitas!

Almas que temem o sacrifício aprendam nesta meditação a se submeterem à vontade de Deus, como Maria e Jesus se submeteram! Aprendam a calar nos seus sofrimentos.

No nosso silêncio, nesta dor imensa, armazenamos riquezas imensuráveis! Nossas almas hão de sentir a eficácia desta riqueza na hora em que, abatidos pela dor, recorrermos a Maria, fazendo a meditação deste encontro dolorosíssimo. O valor do nosso silêncio se converte em força, quando nas horas difíceis soubermos recorrer à meditação desta dor!

Como é precioso o silêncio nas horas de sofrimentos! Há almas que não sabem sofrer uma dor física, uma tortura de alma em silêncio; desejam logo contá-la para que todos o lastimem! Jesus e Maria tudo suportaram em silêncio por amor a Deus!

A dor humilha e é na santa humildade que Deus edifica! Sem a humildade, trabalhamos em vão; vejam pois como a dor é necessária para a nossa santificação.

Aprendamos a sofrer em silêncio, como Maria e Jesus sofreram neste doloroso encontro no caminho do Calvário. 

5ª. Dor - Aos pés da Cruz

Na meditação desta dor encontraremos consolo e força para nossas almas contra mil tentações e dificuldades e aprenderemos a ser fortes em todos os combates de nossa vida.

Contemplemos Maria aos pés da Cruz, assistindo à morte de Jesus, com a alma e o coração transpassados com as mais cruéis dores!

Não nos escandalizemos com o que fizeram os judeus! Eles diziam: 'Se Ele é Deus, por que não desce da cruz e se livra a si próprio?!' Infelizes aqueles que não crêem que Jesus é o Messias. Não podem compreender que um Deus se humilhasse tanto e que a sua divina doutrina pregava a humildade. Jesus precisava dar o exemplo, para que seus filhos tivessem a força de praticar uma virtude, que tanto custa aos filhos deste mundo, que têm nas veias a herança do orgulho. Infelizes os que, à imitação dos que crucificaram a Jesus, ainda hoje não sabem se humilhar!

Depois de três horas de tormentosa agonia, Jesus morre, deixando Maria na mais negra escuridão! Sem duvidar um só instante, ela, contido, aceitou a vontade de Deus e, no seu doloroso silêncio, entregou ao Pai sua imensa dor, pedindo, como Jesus, perdão para os criminosos.

Entretanto, quem a confortou nessa hora angustiosa? Fazer a vontade de Deus foi o seu conforto; saber que o Céu foi aberto para todos os filhos foi seu consolo! Porque Maria também no Calvário foi provada com o abandono de toda consolação!

Sofrer em união com os sofrimentos de Jesus encontra consolo; sofrer por ter feito o bem neste mundo, recebendo desprezos e humilhações encontra força.

Que glória para nossas almas se um dia, por amarmos a Deus com todo o nosso coração, formos também perseguidos!

Aprendamos a meditar muitas vezes esta dor, que ela nos dará força para sermos humildes: virtude amada de Deus e dos homens de boa vontade.

 6ª. Dor - Uma lança atravessa o Coração de Jesus

Com a alma imersa na mais profunda dor, Maria viu Longinus transpassar o coração de seu Filho, sem poder dizer uma palavra! Derramou muitas lágrimas... Só Deus pode compreender o martírio desta hora, na alma e no coração!

Depois depositaram Jesus em seus braços, não cândido e belo como em Belém... Morto e chagado, parecendo mais um leproso do que aquele adorável e encantador menino, que tantas vezes apertara ao seu coração!

Se Maria tanto sofreu, não será ela capaz de compreender os nossos sofrimentos? Por que, então, não recorramos a Maria com mais confiança, ela que tem tanto valor diante do Altíssimo?

Por muito ter sofrido aos pés da cruz, muito lhe foi dado! Se não tivesse sofrido tanto, não teria recebido os tesouros do Paraíso em suas mãos.

A dor de ver transpassar o Coração de Jesus com a lança, conferiu a Maria o poder de introduzir, em seu amável Coração, a todos aqueles que a ele recorrerem. Corramos todos a Maria, porque ela pode nos colocar dentro do Coração Santíssimo de Jesus Crucificado, morada de amor e de eterna felicidade!

O sofrimento é sempre um bem para a alma. Regozijemo-nos, pois, com Maria, que foi a segunda mártir do Calvário! Sua alma e seu coração participaram dos suplícios do Salvador, conforme a vontade do Altíssimo, para reparar o pecado da primeira mulher! Jesus foi o novo Adão e Maria a nova Eva, livrando assim a humanidade do cativeiro no qual se achava presa.

Para correspondemos, porém, a tanto amor, sejamos muito confiantes em Maria, não nos afligindo nas contrariedades da vida; ao contrário, confiemos todos os nossos receios e dores a Ela, que saberá dar em abundância os tesouros do Coração de Jesus!

Não nos esqueçamos de meditar esta imensa dor, quando nossa cruz estiver pesada. Nela encontraremos força para sofrer por amor a Jesus que sofreu na Cruz a mais infame das mortes.

7ª. Dor - Jesus é sepultado

Quanta dor padeceu Maria quando teve que ver sepultado seu Filho. A quanta humilhação seu Filho se sujeitou, deixando-se sepultar, sendo Ele o mesmo Deus! Por humildade, Jesus submeteu-se à própria sepultura, para depois, glorioso, ressuscitar dentre os mortos!

Bem sabia Jesus o quanto Maria sofreria vendo-o sepultado; não a poupando, quis que Maria também fosse participante na sua infinita humilhação!

Vejamos como Deus amou a humilhação! Tanto que deixou-se sepultar nos santos Sacrários, a esconder sua majestade e esplendor, até o fim do mundo! Na verdade, o que se vê no Sacrário? Apenas uma Hóstia Branca e nada mais! Ele esconde sua magnificência debaixo da massa branca das espécies de pão! E não o admiramos tanto quanto Ele merece, por Jesus assim Se humilhar até o fim dos séculos!

A humildade não rebaixa o homem, pois Deus Se humilhou até à sepultura e não deixou de ser Deus.

Se queremos corresponder ao amor de Jesus, devemos mostrar que O amamos, aceitando as humilhações. A aceitação da humilhação nos purifica de toda e qualquer imperfeição e, desprendendo-nos deste mundo, passamos desejar mais intensamente o Paraíso.

Apresentamos estas sete Dores de Maria, não para queixar somente, mas para mostrar as virtudes que devemos praticar, para um dia estar ao seu lado e ao lado de Jesus! Receberemos a glória imortal, que é a recompensa das almas que, neste mundo, souberam morrer para si, vivendo só para Deus!

Nossa Mãe nos abençoa e nos convida a meditar muitas vezes nestas palavras ditadas, porque muito nos amo.

Fonte: Site Catequisar


Original Article: http://andersonribeiro18.blogspot.com/2015/03/as-sete-dores-de-maria.html



Procissão de Ramos

Procissão de Ramos
Nossa Senhora da Conceição do Cia  /  AP

A entrada "solene" de Jesus em Jerusalém foi um prelúdio de Suas dores e humilhações
A Semana Santa começa no Domingo de Ramos, porque celebra a entrada de Jesus em Jerusalém montado em um jumentinho – o símbolo da humildade – e aclamado pelo povo simples, que O aplaudia como "Aquele que vem em nome do Senhor". Esse povo tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro de Betânia havia poucos dias e estava maravilhado. Ele tinha a certeza de que este era o Messias anunciado pelos profetas; mas esse mesmo povo tinha se enganado no tipo de Messias que Cristo era. Pensavam que fosse um Messias político, libertador social que fosse arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão.
Domingo de Ramos
Para deixar claro a este povo que Ele não era um Messias temporal e político, um libertador efêmero, mas o grande Libertador do pecado, a raiz de todos os males, então, o Senhor entra na grande cidade, a Jerusalém dos patriarcas e dos reis sagrados, montado em um jumentinho; expressão da pequenez terrena. Ele não é um Rei deste mundo! Dessa forma, o Domingo de Ramos dá o início à Semana Santa, que mistura os gritos de hosanas com os clamores da Paixão de Cristo. O povo acolheu Jesus abanando seus ramos de oliveiras e palmeiras.
Esses ramos significam a vitória: "Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas". Os ramos santos nos fazem lembrar que somos batizados, filhos de Deus, membros de Cristo, participantes da Igreja, defensores da fé católica, especialmente nestes tempos difíceis em que esta é desvalorizada e espezinhada. Os ramos sagrados que levamos para nossas casas, após a Missa, lembram-nos de que estamos unidos a Cristo na mesma luta pela salvação do mundo, a luta árdua contra o pecado, um caminho em direção ao Calvário, mas que chegará à Ressurreição.

O sentido da Procissão de Ramos é mostrar essa peregrinação sobre a terra que cada cristão realiza a caminho da vida eterna com Deus.
 Ela nos recorda que somos apenas peregrinos neste mundo tão passageiro, tão transitório, que se gasta tão rapidamente. E nos mostra que a nossa pátria não é neste mundo, mas sim na eternidade, que aqui nós vivemos apenas em um rápido exílio em demanda da casa do Pai. A Missa do Domingo de Ramos traz a narrativa de São Lucas sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus: Sua angústia mortal no Horto das Oliveiras, o Sangue vertido com o suor, o beijo traiçoeiro de Judas, a prisão, os maus-tratos causados pelas mãos do soldados na casa de Anãs, Caifás; Seu julgamento iníquo diante de Pilatos, depois, diante de Herodes, Sua condenação, o povo a vociferar "crucifica-o, crucifica-o"; as bofetadas, as humilhações, o caminho percorrido até o Calvário, a ajuda do Cirineu, o consolo das santas mulheres, o terrível madeiro da cruz, Seu diálogo com o bom ladrão, Sua morte e sepultura.
A entrada "solene" de Jesus em Jerusalém foi um prelúdio de Suas dores e humilhações. Aquela mesma multidão que O homenageou, motivada por Seus milagres, agora vira as costas a Ele e muitos pedem a Sua morte. Jesus, que conhecia o coração dos homens, não estava iludido. Quanta falsidade há nas atitudes de certas pessoas! Quantas lições nos deixam esse Domingo de Ramos! O Mestre nos ensina, com fatos e exemplos, que o Reino d'Ele, de fato, não é deste mundo. Que Ele não veio para derrubar César e Pilatos, mas veio para derrubar um inimigo muito pior e invisível: o pecado. E para isso é preciso se imolar; aceitar a Paixão, passar pela morte para destruir a morte; perder a vida para ganhá-la. A muitos o Senhor Jesus decepcionou; pensavam que Ele fosse escorraçar Pilatos e reimplantar o reinado de Davi e Salomão em Israel; mas Ele vem montado em um jumentinho frágil e pobre.
Muitos pensam: "Que Messias é este? Que libertador é este? É um farsante! É um enganador merece a cruz por nos ter iludido". Talvez Judas tenha sido o grande decepcionado. O Domingo de Ramos ensina-nos que a luta de Cristo e da Igreja e, consequentemente, a nossa também, é a luta contra o pecado, a desobediência à Lei sagrada de Deus, que hoje é calcada aos pés até mesmo por muitos cristãos que preferem viver um Cristianismo "light", adaptado aos seus gostos e interesses e segundo as suas conveniências. Impera, como disse Bento XVI, "a ditadura do relativismo". O Domingo de Ramos nos ensina que seguir o Cristo é renunciar a nós mesmos, morrer na terra como o grão de trigo para poder dar fruto, enfrentar os dissabores e ofensas por causa do Evangelho do Senhor. Ele nos arranca das comodidades e das facilidades, para nos colocar diante d'Aquele que veio ao mundo para salvar este mundo.

UMA CASA CHEIA DE AVE MARIA É UMA CASA CHEIA DE GRAÇA

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Entre o destino e a liberdade: o percurso histórico do problema da predestinação

Entre o destino e a liberdade: o percurso histórico do problema da predestinação
Religionline  /  António Marujo

Agenda Começou esta manhã e vai até sábado o workshop sobre Entre o destino e a liberdade: o percurso histórico do problema da predestinação, organizado pelo Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR), da Universidade Católica Portuguesa (UCP). Na apresentação da iniciativa, o CEHR diz: "(...) Enquanto dispositivo de legitimação da ordem social e da modelação de comportamentos, a

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O Dogma do Inferno – Parte I

O Dogma do Inferno – Parte I
Borboletas ao Luar  /  Andrea Patrícia



Inferno dos Condenados, o Lugar Onde as Almas Permanecem Para Sempre
Por Dr. Remi Amelunxen
Traduzido por Andrea Patrícia
 

 Nosso Senhor Jesus Cristo presidindo o Juízo Final



Após estudar o Purgatório, (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) parece lógico discorrer sobre o Inferno. Este dogma também foi muito esquecido e até mesmo negado, especialmente como sendo um lugar onde as almas dos condenados estão por toda a eternidade.
A fonte principal para esta série de artigos é o livro excepcional de Pe. François Xavier Schouppe intitulado Hell: The Dogma of Hell Illustrated by Facts Taken from Profane and Sacred History. [Inferno: O Dogma do Inferno Ilustrado por Fatos Extraídos da História Profana e Sacra](1) Esta série irá resumir esta obra, escrita há mais de 100 anos, e também apresenta pensamentos e opiniões de outros autores.
O dogma de que o Inferno existe é, como observa o Pe. Schouppe: "a mais terrível verdade de nossa fé. Nós temos tanta certeza do Inferno como temos da existência de Deus." (2) Nosso Senhor mesmo proclamou isto ao menos 50 vezes no Evangelho.
A Revelação é apoiada pela razão, e a existência do Inferno está em harmonia com a Lei Natural, que é a expressão da imutável Justiça Divina. De fato, na história nunca existiu um povo que não tivesse um sistema de punição para aqueles que não seguissem as leis comuns. Uma variedade de punições terminando com a pena de morte é a regra normal de qualquer sociedade.

Esta realidade penal que existe em toda parte não é nada mais senão o reflexo da Justiça Divina. Não é difícil enxergar que uma punição eterna – o Inferno – é um prato da balança da Lei Divina. O outro prato é a recompensa eterna para aqueles que são fieis. Isto é o que a razão nos diz sobre o Inferno.

Algumas noções explícitas sobre o Inferno sempre foram conhecidas por muitos povos. O Inferno nunca foi negado por hereges, Judeus e Maometanos. Ironicamente, foi apenas na era do Iluminismo, no século XVIII, que separou-se a fé da razão, e criou esta enorme estupidez chamada Ateísmo. Um filósofo ateu é tão estúpido quanto um cientista que finge que a luz e o calor que beneficiam a terra não vêm do sol. Então, após essa "iluminação" nós temos que suportar estas toupeiras que não conseguem enxergar um palmo diante de seus narizes e negam Deus como causa da Criação e da Lei Natural. Ateus também negam o Inferno.

Tristemente, em nossos dias, com o objetivo de "adaptar-se ao mundo moderno", o Progressismo aceita as pressuposições desses ateus e também minimiza – quando não rejeita – a  existência do Inferno. Mesmo altos escalões eclesiásticos na própria Igreja Católica estão fazendo o mesmo…


Tolos sofismas
 


Pe. Schouppe retrata algumas pessoas infelizes que persuadem a si de que o Inferno não existe baseadas em interesseiros sofismas internos. O raciocínio delas é o seguinte:
  1. Eu não acredito em Inferno;
  2. Aqueles que acreditam neste dogma não têm prova de sua existência, já que a futura vida após a morte é um problema insolúvel, um invencível "talvez";
  3. Ninguém retornou do além da tumba para testemunhar que existe um Inferno.
 
Aqueles que negam o Inferno são tolos insensatos, caminhando numa perigosa corda bamba


Vejamos brevemente cada um desses raciocínios. "Eu não acredito em Inferno", alguns simplesmente dizem. O Inferno deixará menos de existir porque você não quer acreditar nele? Se você negar sua própria existência, você cessará de existir? (3)  
"Ninguém sabe o que é a vida futura e o Inferno é apenas um 'talvez'". De fato, este argumento é resolvido pela Revelação, que fala sem incertezas sobre o Inferno. A verdade do Inferno é conhecida pela infalível palavra de Deus. Apenas o mais tolo dos homens se basearia num "talvez" e assim exporia a si mesmo à punição do fogo eterno
Quanto ao terceiro argumento, existem, de fato, almas condenadas que retornaram para revelar seus castigos eternos como veremos na última parte deste artigo.

As Sagradas Escrituras falam sobre o Inferno


Há muitas referências à existência do Inferno (4) no Antigo Testamento. Dentre outras, as seguintes:
• O perverso deverá ser lançado no Inferno, e todas as nações que se esqueceram de Deus. (Sl 9,18)
• Portanto, o Inferno alargará sua alma e abrirá sua boca sem quaisquer limites, e seus fortes e seu povo, e seus altos e gloriosos cairão dentro dele. (Is 5,14)
 
As Escrituras falam frequentemente de um lugar de fogo eterno onde os Demônios e as almas dos condenados ficam

• Que a morte venha sobre eles e que eles caiam vivos no Inferno. Pois há perversidade entre eles e em suas moradas. (Sl 54,16)
• Eu abalei a nação com o som de sua queda, quando o lancei no Inferno com aqueles que caem dentro do abismo. (Ez 31,16)
• Pois eles também deverão cair com ele no Inferno para perto daqueles que foram mortos pela espada: e o braço de cada um deverá cair sob sua sombra em meio às nações. (Ez 31,17)
• Vós os transformareis em fornalhas ardentes no tempo de vossa ira: o Senhor irá confundi-los com Sua ira e o fogo os devorará. (Sl 20,10)
No Novo Testamento nós encontramos estas palavras infalíveis: 



• Se vossa mão os escandaliza, corte-a fora; é melhor entrar na vida mutilado do que ter duas mãos e ir para o Inferno, dentro do fogo infindável: onde os vermes não morrem e o fogo não se extingue. (Mc 9,43)
• E vós, Cafarnaum, que vos eleva até o Céu, deverá ser lançada no Inferno. (Lc 10,15)
• Deus não poupou os anjos que pecaram, mas lançou-os com cordas infernais no fundo do Inferno entre tormentos, onde estão reservados até o julgamento. (2 Pe 2,4)
• Então Ele dirá para aqueles que estiverem à sua esquerda: apartem-se de mim, malditos, para o fogo eterno que foi preparado para o demônio e seus anjos. (Mt 25,41)
• Desceu fogo vindo de Deus no Céu e os devorou, e o demônio, que os seduziu, foi lançado num lago de fogo e enxofre, onde tanto a besta quanto o falso profeta serão atormentados dia e noite, para sempre. (Apoc 20,9-10)
• Eles irão para o castigo eterno. (Mt 25,46)

O ensino De fide da Igreja


Em seu Fundamentals of Christian Dogma [Fundamentos do Dogma Cristão], o teólogo Ludwig Ott apresenta estes dois ensinamentos de fide no tópico sobre reprovação e Inferno:
1. As almas daqueles que morrem em condição de pecado mortal entram no Inferno (5) – O Credo Atanasiano declara: "Aqueles que fizeram o mal irão para o fogo eterno" (Denzinger 40).
Bento XII declarou na Constituição Benedictus Deus: "De acordo com o decreto geral de Deus, as almas daqueles que morrem em pecado mortal descem imediatamente ao Inferno, onde serão atormentadas pelas dores do Inferno" (Denz. 531). 
Os Pais da Igreja atestam unanimemente a realidade do Inferno. Por exemplo, Santo Inácio de Antioquia afirma que aqueles que corrompem a fé em Deus através de ensinos errôneos "irão para o fogo insaciável – assim como aqueles que deram ouvidos a eles." São Justino baseia a punição do Inferno na ideia de Justiça Divina, que exige punição para aqueles que transgridem a lei de Deus. (6)
2. O castigo do Inferno dura por toda a eternidade – Afirmando a natureza eterna do Inferno, falada com frequência na Sagrada Escritura, (7) o Quarto Concílio de Latrão (1215) declarou: "Aqueles [os rejeitados] receberão uma punição perpétua com o demônio." (Denz. 429) 


Uma impressionante manifestação do Inferno


Em Sua misericórdia, Deus ajuda nossa fé sobre a verdade do Inferno através de manifestações de uma natureza sensível. Estas são mais numerosas do que se pensa, e são apoiadas por provas suficientes. Eis um exemplo impressionante, provado judicialmente no processo de canonização de São Francisco de Jerome (1642-1716) e atestado sob juramento por um grande número de testemunhas oculares.
São Francisco estava pregando em Nápoles sobre o Inferno e os terríveis castigos que esperam pecadores obstinados. Uma prostituta descarada da região chamada Catarina veio perturbar seu sermão com gestos e gritos.


São Francisco de Jerome pregando as Últimas Coisas

O santo gritou para ela: "Cuidado, minha filha, ao resistir à graça. Antes que se tenham passado oito dias, Deus irá puni-la."

Em vez de prestar atenção às palavras dele, a mulher apenas zombou dele com mais veemência.

Após oito dias, o santo estava novamente naquela região e disseram a ele que Catarina havia morrido subitamente naquele mesmo dia. Ele disse: "Bem, vamos deixar que ela nos diga agora o que ela ganhou ao rir do Inferno."

Seguido por uma multidão, ele foi até a câmara mortuária, descobriu o cadáver, e disse em voz alta: "Catarina, diga-nos onde você está agora."

A mulher morta levantou a cabeça e abriu os olhos. Suas feições tomaram uma expressão de desespero e, numa voz lamentosa, ela disse: "No Inferno. Eu estou no Inferno." Então ela caiu de volta na condição de cadáver.

Pe. Schouppe registra as palavras de uma testemunha, que disse: "Eu nunca pude transmitir a impressão que este incidente produziu em mim e nos espectadores, e que eu ainda sinto toda vez que eu passo por aquela casa e vejo aquela janela. Eu ainda ouço grito triste ressoando: 'No Inferno. Eu estou no Inferno'." (8)

Este é apenas um exemplo das manifestações de almas que retornaram a terra para admitir que elas sofrem punição eterna.

(Continua)
  1. Francois Xavier Schouppe, The Dogma of Inferno, Illustrated by Facts Taken from Profane and Sacred History, Rockford, IL: TAN, 1989
  2. Ibid., p. 1.
  3. Ibid., p. 2.
  4. Outras referências no Antigo Testamento, Ez 31,18, Ez 32,21, 27, Pr 7,27, Pr 9,18, Pr 15,24, Is 29,10, Is 24,21f., Judt 6, Ecl 21,10-12, Sl 87,5,7, Sl 37,12f, Sb 4,20, Jó 22,17-20, Dan 12,2, Sb 5,1-3, Sb 5,4f, Sb 5,79, Is 33,14, Deut 32,39.
    Outras referências no Novo Testamento, Mc 9,46-47., Mt. 7,13, Mt. 10,23, Mt 7,13, 2 Pet 2,9, Mt. 18,8, Lc 13,27, 2 Ts 1,9, Mt 25,30, Mt 3,12, Mc 9,44, Lc 16,23, 2 Pet 2,9, Ef 5,6, Rom 1,28-32, Ap 22,15, Ap 21,8
  5. Ludwig Ott, Fundamentals of Christian Dogma, St. Louis, Herder, 1969,p. 479-480.
  6. Ibid., p. 480
  7. Dan 12,2; Sb 4,19; Judith 16,21, 7; Mt 18,8, 25,41, 46, 3,12; Mc 9,43; Mc 9,45f, 2 Ts 1,9; Ap 19,3, 20,10.
  8. F.X. Schouppe, The Dogma of Inferno, p. 3-4.
Original aqui.




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Sábado Santo... o que Jesus fez neste dia?

Sábado Santo... o que Jesus fez neste dia?
Catequese na Net  /  Cláudia de Jesus Pinheiro


Olá Povo de Deus!

Sábado Santo é o dia do silêncio: a comunidade cristã vela junto ao sepulcro. 

Calam os sinos e os instrumentos. É ensaiado o aleluia, mas em voz baixa. É o dia para aprofundar, contemplar. O altar está despojado. O sacrário aberto e vazio. Onde foi Jesus???

Vejam que coisa mais linda esta antiga Homilia no grande Sábado Santo (séc IV) - Da Liturgia das Horas - II leitura do Sábado Santo.

. Depois de ler, você nunca mais viverá o Sábado Santo da mesma forma... tudo fará mais sentido.

Paz de Cristo!

O QUE O SENHOR FEZ NO SÁBADO SANTO?
Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.
Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.
O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: "O meu Senhor está no meio de nós". E Cristo respondeu a Adão: "E com teu espírito". E tomando-o pela mão, disse: "Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.
Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: 'Saí!'; e aos que jaziam nas trevas: 'Vinde para a luz!'; e aos entorpecidos: 'Levantai-vos!'
Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.
Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.
Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.
Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.
Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.
Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.
Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade".




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