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E saíram do Seu lado sangue e água - Bento XVI
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ENTRETANTO
O Sábado Santo é uma espécie de entretanto entre a comemoração da morte e a celebração da vida. Entre a Cruz e a Ressurreição, há a sepultura.
O trânsito ocorre aqui. A Páscoa está, literalmente, em marcha. A passagem da morte para a vida faz-se no silêncio da espera.
Nada há mais distante. Nada existe tão próximo. A morte é a negação da vida. A vida é a superação da morte. Entre uma e outra um dia de espera, de expectativa.
Há, aqui, uma realidade e um sentido, um significante e um significado.
Desde logo, não é para o alto que devemos olhar. É para as profundidades que temos de nos dirigir.
Estamos no fundo? Mas é do fundo que tudo parte.
A grande lição do Sábado Santo é que não há motivos para o derrotismo (próprio de Sexta-Feira Santa), mas também não há ainda razões para a euforia (aceitável em Domingo de Páscoa).
O Sábado Santo é a grande metáfora da vida humana. É preciso nunca deixar de acreditar, nunca desistir de trabalhar. Não há obstáculos intransponíveis.
Deixo, a este propósito, um texto magnífico de Carlo Maria Martini: «Estamos no sábado do tempo, caminhando em direcção ao oitavo dia: entre o "já" e o "ainda não", devemos evitar absolutizar o hoje com atitudes de triunfalismo, ou, pelo contrário, de derrotismo.
Não podemos deter-nos na escuridão de Sexta-Feira Santa, numa espécie de "cristianismo sem redenção"; mas também não devemos apressar a plena revelação da vitória da Páscoa em nós, que se realizará na segunda vinda do Filho do Homem.
Somos convidados a viver como peregrinos na noite iluminada pela esperança da fé e acalentada pela autenticidade do amor».
Original Article: http://theosfera.blogs.sapo.pt/entretanto-2921380
GRANDE SILÊNCIO
De um autor antigo, provavelmente do século IV:
«Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos.
Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.
O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: "O meu Senhor está no meio de nós". E Cristo respondeu a Adão: "E com o teu espírito". E, tomando-o pela mão, disse: "Acorda, tu que dormes, levante-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará"».
No silêncio, somos convidados a fazer uma viagem até ao nosso interior e meditar sobre o sentido da nossa vida e avaliar a qualidade da nossa relação com o Senhor. Silêncio que nos leva perceber o mistério que envolve a nossa vida e nos fala da necessidade de estarmos com Deus.
Sábado Santo é dia de recolhimento, de encontro com o Ressuscitado, na oração e na contemplação. É preparação para liturgia da Vigília Pascal, a grande festa, a mãe de todas as vigílias e a fonte de todas as liturgias.
Original Article: http://theosfera.blogs.sapo.pt/grande-silencio-2921553
A Tragédia de Judas
Há aqueles que enchem a boca e estufam o peito para dizerem-se católicos: seguidores de Jesus Cristo. No entanto, mais que a identificação com Ele, buscam na fé a realização dos seus próprios interesses. Judas Iscariotes seguiu Jesus pessoalmente por três anos e não se identificou com Ele, não entendeu sua mensagem, não aproveitou o tempo que teve para relacionar-se com Cristo intimamente: isolou-se. Viveu com Ele, mas não o compreendeu. Realizou milagres, mas não os atribuiu à missão de Cristo. Traiu-o e não lhe pediu perdão.
Assim nós, muitas vezes, relativizamos nossa relação com a fé, esvaziando-nos não de nós mesmos, mas dEle, tornando nosso cristianismo apenas um rótulo, substituindo seu conteúdo por opiniões pessoais fundadas não na verdade, mas em vontades. Ora, ninguém quer assemelhar-se àquele cujo nascimento seria melhor não ter ocorrido. Mas pode ser salutar indagar-se, como fizeram os apóstolos: serei eu?
Original Article: http://www.pastoralis.com.br/pastoralis/html/modules/smartsection/item.php?itemid=917
De Profundis
Deus, meu Deus, a distância entre nós não é tolerável.
Mostrai-me o caminho reto simples e verdadeiro.
O caminho da minha alma ao vosso espírito sem nenhuma intervenção entre o céu e a terra.
Eu estou pobre e desvalida e tudo me fere. Tudo o que se diz é muito duro, humano demais e me confunde.
A dor me roubou a infância.
Eu não sou mais do que uma alma de luto, pela sua alegria. Na terrível e estrita via onde apenas vive a esperança.
(Raïssa Maritain)
Original Article: http://www.idade-espiritual.com.br/2015/04/de-profundis.html


