«O que você é fala tão alto que não consigo ouvir o que está a dizer!»

Observando atentamente o mundo, verificamos que a falta de ética é uma doença grave dos nossos tempos. As fraudes, a corrupção, as imoralidades pululam assustadoramente.


A primeira escola da ética tem de ser a família. Aí se ensina pelo exemplo, aí se aprende pelo comportamento dos pais e dos outros adultos.

Mas nem sempre os pais têm esse cuidado de orientar seus filhos no caminho do respeito pelos direitos dos outros, crescendo num ambiente de honestidade.

Há no entanto pais com a consciência da sua responsabilidade, que estão atentos mesmo às pequenas coisas.

Numa tarde soalheira de sábado, Boby Lewis levou os seus dois filhos a jogar minigolfe. Aproximou-se da bilheteira e perguntou: - Quanto custa a entrada?

– Três dólares para o senhor e três para cada criança acima dos seis anos. A entrada é livre para crianças com menos de seis anos. Quantos anos têm os seus pequenos? – disse o funcionário.

– Um tem quatro e o outro tem sete – respondeu o pai. – Devo-lhe portanto seis dólares: três meus e três do mais velho.

O rapaz da bilheteira retorquiu:

– O senhor podia ter ganho três dólares. Porque eu não sabia a idade do mais velho.

O pai respondeu:

– Você não sabia, mas os meus garotos sabem...

Boby não quis mentir para fugir ao preço, porque os filhos, embora pequenos, dariam pela mentira e aprenderiam a enganar os outros. Tinha consciência da importância do exemplo na educação dos filhos..

Tinha bem presente esta bela palavra do escritor americano Emerson: «O que você é fala tão alto que não consigo ouvir o que está a dizer!»

O testemunho dos pais – bom ou mau – fala tão alto, tão forte que abafa as palavras por mais belas que sejam...
Fonte: aqui

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«O que você é fala tão alto que não consigo ouvir o que está a dizer!»

Entre vós não devia saber nada senão Jesus Cristo (1Cor 2,2)


A comunidade cristã da cidade de Corinto foi uma das mais importantes na expansão do cristianismo nascente, e por isso São Paulo manifestou sempre uma grande preocupação para com essa comunidade e os desafios que se lhe colocavam de inculturação, de inserção da fé cristã no meio cultural e religioso pagão de uma grande cidade portuária.
É no contexto deste desafio de inculturação e face à ameaça da compreensão do cristianismo como mais uma doutrina, uma ideia filosófica para uma vida boa, que São Paulo se vê obrigado a reafirmar, a colocar em evidência, o que tinha sido o seu ensinamento, o que afinal tinha tentado fazer e lhes tinha deixado como legado para a vida, qual era a mensagem de que era apóstolo.
Encontramo-nos assim com a primeira carta de São Paulo aos coríntios e com a memória do que tinha sido a acção e o ensinamento de São Paulo aquando da sua estadia entre eles, uma presença humilde e completamente centrada na pessoa de Jesus Cristo.
São Paulo recorda à comunidade que não tinha sido com grandes palavras nem sabedorias extraordinárias que lhes tinha anunciado a boa nova de Jesus Cristo, mas com humildade, com uma grande dose de fraqueza e temor, uma vez que o tesouro a partilhar era deveras valioso para ser desperdiçado em linguagens distractivas.
Ao apresentar-se em Corinto São Paulo não se preocupou com outra coisa senão com Jesus Cristo, com o anúncio da salvação de Jesus Cristo. Não teve preocupações retóricas nem idiomáticas, não se preocupou com a apresentação mas apenas com o conteúdo, porque só Jesus Cristo verdadeiramente importava. “Entre vós não devia saber nada senão Jesus Cristo.”
Esta preocupação e testemunho de São Paulo são para nós um desafio, porque muitas vezes nos preocupamos mais com a roupagem, com a forma, do que com o conteúdo. Na nossa transmissão e anúncio da fé esquecemos que antes de mais o que devemos saber e o que devemos anunciar é Jesus Cristo, porque é a sua pessoa, a sua vida, o que verdadeiramente contagia os homens, os pode converter.
É no balbuciar humilde de qualquer coisa que entrevemos da sua presença na nossa vida, do seu amor para connosco, num gesto de veneração diante da cruz com Jesus crucificado, na amizade e fraternidade que vivemos sem peias e compensações que podemos dar a conhecer Jesus Cristo.
Na mesma linha de pensamento de São Paulo escreveu Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, na Itália: “para abrir as pessoas à fé é necessário em primeiro lugar dar-lhes a conhecer e proporcionar-lhes o encontro com Jesus, para depois, através dele, fazer-lhes conhecer e abraçar o seu corpo que é a Igreja. Deus, em si mesmo, não é mais essencial no percurso, pois pode-se ser homem sem acreditar em Deus e o encontro com Ele não vai além disso. O encontro com Cristo, pelo contrário, aparece como uma fecunda possibilidade de abertura à fé. Quando se descobre Jesus, a sua pessoa intriga, interroga, fascina, provoca uma simpatia.” [Panorama 490 / Setembro 2012)
Como deveríamos saber bastante de Jesus Cristo pela nossa adesão à sua pessoa, pela nossa relação pessoal e biográfica com ele, porque a nossa fé nele não é um conhecimento intelectual, uma doutrina, mas uma intimidade de vida partilhada.
Ilustração: “Julgamento de São Paulo”, de Nilokai Bodarevsky, Museu Regional de Arte de Uzhgorod, Ucrânia.  

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Entre vós não devia saber nada senão Jesus Cristo (1Cor 2,2)

Aumenta a lista dos que podem ser mortos: Juiz autoriza aborto de criança doente e, desta vez, não é anencefalia

Um juiz de São Paulo acaba de autorizar (na última sexta-feira, 31 de setembro) o assassinato de uma criança no ventre de sua mãe. O motivo? Aborto eugênico, de novo. Mas a “surpresa” é que, desta vez, não se trata de um bebê anencéfalo: a criança cuja pena de morte foi lavrada pelo excelentíssimo senhor desembargador Ricardo Cardozo de Mello Tucanduva, da 6º Câmara de Direito Criminal, é portadora de Síndrome de Edwards.
Há quatro anos atrás, eu falei aqui no Deus lo Vult! sobre esta sídrome. Como no caso da anencefalia, trata-se de uma doença congênita fatal; mas, ao contrário da anencefalia, não falta nenhuma parte do corpo da criança para que os sofistas de plantão venham dizer que não é um ser humano. A Síndrome de Edwards é uma trissomia (neste caso, do cromossomo 18) que provoca, p.ex., “atraso no desenvolvimento, problemas cardíacos, respiratórios e renais, lesões cerebrais”.
A “justificativa” do aborto é a mesmíssima recém-inaugurada pelos devaneios do STF no julgamento da ADPF 54: alegada incompatibilidade com a vida extra-uterina. Alguém tinha ainda alguma dúvida? Uma vez que foram escancaradas as porteiras da eugenia pelo STF, alguém acreditou sinceramente que as vítimas dela iriam se limitar às crianças anencéfalas? Era claro que chegaríamos a este ponto. Não há meio-termo: ou a vida humana merece defesa intransigente, ou a identificação exata daqueles que podem ser mortos é uma questão de segunda importância, que depende somente de quem tiver mais força política em um dado momento.
Quando juntávamos dois com dois para explicar as óbvias conseqüências eugênicas da permissão do aborto de anencéfalos, acusavam-nos de falácia do declive escorregadio. Mas de que falácia estamos falando, quando o que liga uma coisa à outra é praticamente uma linha reta? Infelizmente, os fatos vieram – e vieram cedo! – provar que tínhamos razão. Já começa a crescer a lista dos seres humanos de segunda categoria cujas mães, se quiserem, podem descartá-los. É urgente matar a árvore venenosa pela raiz; porque, enquanto houver permissão para o assassinato, não será possível dizer quem estará seguro amanhã. Enquanto o aborto eugênico for legalizado, não vai dar pra saber até onde os seus tentáculos conseguem alcançar.
Aumenta a lista dos que podem ser mortos: Juiz autoriza aborto de criança doente e, desta vez, não é anencefalia

Como ensinar o Catecismo às crianças? (Parte I)

O ensino do Catecismo, como tal, não oferece diferença das demais disciplinas, e deve ser feito pelos métodos mais racionais. Resta-lhe o terreno sobrenatural, a que somente ele se eleva. Mas não dispensa os meios naturais, antes conta com eles. E se falhou tanto a formação cristã dos nossos maiores, terá sido precisamente pelos erros dos processos empregados? Não sejamos nós, melhor esclarecidos, que recaiamos nas faltas lastimadas. 

O grande erro metodológico era o intelectualismo. Foi a plenitude da dedução, excelente para os estudos filosóficos e teológicos, mas absurda para as crianças. Falando à inteligência, degenerando quase sempre em memorismo, não interessava a vontade, não tocava a pessoa, não descia à vida, não informava a conduta. Satisfazia-se com ensinar, esquecido de que a Religião é uma vida¹.

A orientação geral é hoje para a indução: ir do conhecido para o desconhecido, do sensível para o espiritual, do concreto para o abstrato, do particular para o geral, de baixo para cima.

Como métodos de conhecimento são os únicos, e teremos de optar, sendo, porém, de notar que nunca existem isoladamente, sempre se ajudando, havendo, entretanto, a predominância de um.

Aplicados ao Catecismo, estes dois métodos criaram o "Método de São Sulpício", dedutivo, e o "Método de Munique" (também chamado "Método Psicológico"), indutivo. A este se estão ligando hoje os que querem a Religião ensinada de acordo com o avanço da moderna pedagogia. O outro fez sua época, na França, principalmente.

Também chamam de método a modos de ensinar peculiares a certos pedagogos, a certos processos. Neste sentido há muitos métodos catequéticos, como os há profanos. Não vejo por que demorar-nos a este respeito.

Mas há certos "métodos" muito em voga: Decroly, centros de interesse, Montessori², método de projetos, etc. Estão todos os processos modernos filiados ao método indutivo, que seguimos e explanamos aqui, e cujos instrumentos daremos em seguida, dividindo-os por grupos. Afastados os erros, corrigidos os exageros, advertida a catequista do plano sobrenatural em que nos movemos, tudo o que a moderna metodologia tem produzido e ainda produza deve ser aproveitado no Catecismo.

Os "projetos" e "centros de interesse", muito vivos, excelentes para o ensino globalizado, podem fornecer ricas oportunidades para ensinar Religião, mas a sua aplicação nas aulas de Catecismo só me parece que deva ser feita raramente, em vista do pouco tempo de que dispomos para elas. 

I
MATERIAL


Quadros murais - Preciosos auxiliares do ensino religioso são os quadro murais. As crianças gostam enormemente de ver figuras, que despertam e prendem a atenção mesmo dos adultos. Não podemos, pois, dispensar-nos deles em nossas aulas. Não basta, porém, ter o quadro para mostrar às crianças; é preciso saber usar dele. Para isso, a catequista deve, antes, estudá-lo, cuidadosamente, sabendo ao certo de que se trata, conhecendo as figuras que apresenta, preparando-se para responder às numerosas perguntas que ele possa sugerir aos alunos. Do contrário, se expõe a titubear nas explicações, ou - o que seria ainda pior - dá-las erradas.

Nem se deve jamais perder de vista a finalidade prática do Catecismo. Por isso é necessário saber tirar as conclusões e aplicá-las à vida infantil. Nunca insistiremos demais sobre este ponto, que é o essencial em todo o ensino religioso.

Os quadros murais do Catecismo devem ter umas tantas qualidades, para preencherem devidamente os seus fins.

a) Verdadeiros - É a primeira qualidade. Se representam um fato histórico devem traduzi-lo fielmente. Se contêm uma doutrina, devem significá-la ortodoxamente. A catequista terá o cuidado de evitar os quadros que não sejam conformes à verdade.

b) Inocentes - Para nós, a suprema regra é a santificação dos alunos. Nada que os possa escandalizar. Há certos quadros que ofenderiam ao pudor dos pequeninos. Pouco importa que sejam históricos ou artísticos; devem ser afastados.

c) Belos - Ao mesmo tempo que vamos formando a vida cristã, podemos e devemos ir desenvolvendo o gosto artístico da criança. Além disso, a ausência de beleza prejudica, porque torna, às vezes, ridículas as figuras - o que é, sem dúvida, em prejuízo da dignidade da Religião. Os quadros, como as imagens, são para elevar, edificar, mover, instruindo.

d) Coloridos - As cores chamam mais a atenção, facilitam o trabalho da memória. Os psicólogos explicam que as cores primárias são mais do agrado das crianças, e devem ser, por isso, preferidas. Não podemos esquecer que o colorido dá uma impressão mais viva da realidade.

e) Simples - A matéria do quadro deve estar bem visível e destacada. Minúcias, enfeites, acúmulos de matérias, afastam a atenção do objeto principal. Só assim se conseguirá fixar a atenção sobre o que, precisamente, se quer ensinar. Só assim se garantirá a retenção pela memória que não se sobrecarrega.

f) Grandes - Para serem facilmente vistos pelas crianças. É preciso que as crianças possam vê-los como quiserem. Não faz mal que os toquem, porque há muita gente que só sabe ver direito... com as mãos. A catequista cuidará apnas de evitar o desasseio e os estragos propositados.

Estes são, sem dúvida, os quadros ideais. Nem sempre são assim os de que podemos dispor. E... é deles que nos vamos servir.

Digamos uma palavra sobre o modo de usar dos quadros murais.

O melhor é não ter expostos os quadros para o ensino. As crianças se acostumam com eles, e não prestam mais atenção quando apresentados.

Quando apresentar o quadro às crianças? Antes de explicar a doutrina ou contar a história? Enquanto se fala? Ou depois? Divergem as opiniões.

A meu ver, depende muito da natureza do quadro. Costumo apresentá-los antes, toda vez que se trata de objetos desconhecidos pelas crianças. Então fica mais fácil explicar. Para pontos de doutrina ou história, narro primeiro o fato ou dou a explicação. Depois, mostro o quadro. Reanima-se o pequeno auditório: aviva-se-lhe a atenção. Deixo ver o quadro, observo as impressões que desperta; ouço os comentários... Vou então repetindo com os pequenos a história ou a doutrina. Faço repetir pela classe. Tiro as conclusões e aplicações morais.

Em todo caso, é este o meu modo de ver e fazer. Outros farão de outra maneira com igual ou maior êxito.

O que importa é não perdermos um auxiliar tão valioso para o ensino da Religião. Não é difícil dotar cada Grupo Escolar, cada Catecismo paroquial, de uma coleção de quadros. Um pouco de boa vontade realizadora, e teremos em mãos com que prender a atenção das crianças e lhes facilitar a aprendizagem da doutrina e da virtude, em que se devem formar.

Álbuns - São os álbuns um elemento de que a boa catequista não deixará de lançar mão, pelos excelentes serviços que podem prestar. Não nos demoraremos sobre o valor pedagógico dos álbuns: todas as professoras o conhecem. Apliquemos ao Catecismo.

Como sempre, deixando a maior parte ao trabalho das crianças, deixando-lhes mesmo a impressão da iniciativa, suscita-se a ideia do álbum. Já existem na classe, no Grupo, álbuns de geografia, de história etc. É fácil passar a ideia para a Religião. Talvez outra catequista já organizou um álbum catequético. Mostrá-lo aos alunos é despertar-lhes o desejo de fazer um igual. Querem fazer? O interesse começou.

Quantos álbuns religiosos se podem fazer! A professora orienta. É a Quaresma: um álbum da Via-Sacra. É o mês de maio: a vida de Nossa Senhora, ou uma coleção das invocações, ou das mais bonitas igrejas do Brasil dedicadas a Nossa Senhora. Ensina-se o Ciclo Litúrgico: que lindo trabalho o dos domingos do ano! Estuda-se a vida de Cristo: querem mais rico motivo para um álbum? Ou simplesmente as parábolas. Os sacramentos, os mandamentos, os dons do Espírito Santo, as missões, e mil outros motivos a catequista achará ricos de interesse e de lições.

Como fazer? Suscitado o interesse, despertado o entusiasmo, a catequista faça as crianças fazerem. Vá animando e dirigindo o trabalho - e as crianças vão trabalhando. Elas arranjarão o livro, ou o farão e encadernarão. Elas providenciarão as estampas. Quanto motivo para educação! Proponho, por exemplo, que tragam os santinhos que tem, para se escolher. A escolha, motivada, já é um trabalho de educação estética e religiosa, o darem os seus santinhos para o álbum da classe já é um desprendimento excelente, para combaterem o egoísmo. O álbum pode ser de simples figuras cortadas de jornais e revistas. Na confecção de um álbum sobre a vida de Cristo passa-se e repassa-se o Catecismo quase todo. Depois de organizarmos um álbum sobre a Via-Sacra, grande parte das crianças sabia todas as estações de cor, sendo capazes de fazer sem livro o piedoso exercício. Eu mesmo presenciei cenas como esta: "Mamãe, a senhora tem um santinho com a IX estação?" E a mamãe não sabia qual é a IX estação, e... aprendia!

Embora sem tanto valor educativo, os álbuns feitos pela própria catequista prestarão um bom auxílio à catequese, substituindo as coleções de quadros, os Catecismos ilustrados, em que somos ainda muito pobres.

Projeções - As projeções luminosas são um dos auxiliares mais eficazes da catequese. Sob vários aspectos valem mais do que os quadros murais. As figuras aparecem maiores e luminosas, atraindo mais a curiosidade, e podendo agrupar maior número de alunos. Sendo maior a impressão, grava-se melhor.

Não será talvez recomendável usar a projeção todas as semanas, porque as crianças se acostumariam demais, e o interesse cairia. Também porque ainda somos pobres de vistas e seríamos obrigados a repeti-las, desgostando ou enfadando os pequenos.

O inverso será igualmente errôneo. As projeções não devem ser tão raras que pareçam diversão ou prêmio.

O bom emprego será o da função didática, como dos quadros murais. Sobre a vista projetada, a lição dada pela catequista. Para isto, compreendamos: a) que a catequista, antes de projetar, terá estudado bem o quadro, para poder explicá-lo; b) que a projeção é um meio e não um fim; c) que as vistas projetadas serão poucas, porque, do contrário, as crianças não poderão reter as explicações dadas; d) que serão todas em torno do mesmo tema, que explanarão e farão compreender, a fim de evitar a dispersão; e) que as crianças não se limitarão a ver, mas tomarão parte intelectual e espiritual ativa.

Ainda melhor, servirão as projeções como meio de recapitulação. Aí então as vistas poderão ser mais numerosas e variadas, conforme a matéria a rever. Aí também as vistas devem ser explicadas pelas crianças.

Quanto ao cinema, temos várias restrições a fazer. Ainda não existem entre nós os filmes religiosos, didáticos. Fala-se, é verdade, de "filmes educativos" que me proporcionaram grandes decepções. São cheios de aventuras policiais e cenas pouco edificantes. Raros, raríssimos, os educativos de verdade.

As crianças se contentam com as projeções fixas, que tem ainda a vantagem de ser muito mais baratas. Há mesmo aparelhos de preço acessível, muito bons e de fácil manejo. Até mesmo os adultos apreciam essas projeções, que fornecem ocasião a um bom apostolado.

Museu catequético - Se todas as boas escolas tiveram sempre os seus museus, a escola atual menos ainda o pode dispensar, em vista do seu grande valor instrutivo e sobretudo educativo.

Se o museu escolar tem de tudo, porque tudo interessa aos alunos, há de ter também da Religião, porque esta interessa ainda mais.

E se a orientação do museu escolar, sem perder o contato com a ciência e com a arte, tiver sempre um caráter prático de aproveitamento para a vida, a Religião terá aí o seu grande lugar, porque não se pode separar a vida da Religião.

É fácil, aliás, contribuir com o material religioso para o museu. Todas as salas tem o "museu de classe", com tudo o que as crianças reúnem e guardam sob a orientação da professora. Aí estará, portanto, um fato material referente ao Catecismo. As legendas ou dísticos, desenhos, modelagens, recortes, gravuras, mapas, álbuns, todas as manifestações da atividade escolar estarão ali. E não só das crianças, da professora também, porque ela também trabalha e contribui para o museu.

O "museu da escola" tem muito maiores possibilidades que o da classe, porque é fruto de uma cooperação maior, conta com mais ricas possibilidades. Todas as classes contribuem para ele. A sua organização já é mais perfeita. Lá estará igualmente, numa seção especial, tudo o que toca ao ensino religioso.

Todos compreendem a grande vantagem desta conjunção de esforços. Tem outro interesse uma aula dada em face do material que lá se encontra. Fora das aulas, as crianças poderão visitar o museu, e verão muita coisa, aprendendo umas, relembrando outras, completando aquelas.

Para facilitar esse trabalho das crianças, o material estará ao seu alcance, de modo que possam ver e pegar. E tudo será bem etiquetado, para que os pequenos leiam e fiquem sabendo o que é, por si mesmos, sem o auxílio ou com um pequenino auxílio apenas da professora.

Seria muito para desejar que nas cidades maiores se organizasse o museu catequético, este puramente catequético, de maiores proporções, que pudesse servir de modelo, e prestasse serviços a maior número de pessoas. Ali viriam as catequistas da vizinhança buscar novas ideias; e facilmente se melhorariam os métodos do Catecismo pelo interior do país. As sedes dos bispados poderiam iniciar imediatamente esse trabalho, que não é difícil. Haveria, entre os demais, a vantagem da visita dos reverendíssimos vigários, que sempre estão na cidade episcopal. Uma espécie de exposição permanente. Não faz mal começar pequenina. Crescerá depois. Mas é preciso fazer-se.

Quadro-negro - Quer o catecismo seja na escola, quer na igreja, o quadro-negro deve ser usado. Arguirão dificuldades para a igreja. Fáceis de remover. Quadros-negros pequenos, de cavalete, que as próprias crianças transportam com prazer, no momento da aula, do lugar em que ficam guardados para o da aula, e vice-versa.

Não me digam, por tudo, que isto é uma inovação. Quem já viu um quadro-negro na igreja? Mas a igreja já não está transformada em sala de aula?... Não nos pareçamos com aquele que não permitia aulas de Catecismo na igreja, porque os meninos fariam desordem!

É erro pensar que o quadro-negro serve para perder tempo. Bem ao contrário. Mantém, mais facilmente, a atenção dos pequenos. Desperta o interesse. Ajuda a memória, porque muita coisa eles ouvem e, ao mesmo tempo, vêem escrita. Alimenta a atividade infantil: manda-se ora um, ora outro escrever no quadro. E enquanto um escreve, os outros acompanham.

A catequista que não o utiliza priva-se de um auxiliar precioso. E quem, como nós, quer atingir um fim tão alto, não se pode privar de um meio, antes deve pô-los todos em ação, para melhor assegurar-se o êxito.

No quadro, a catequista escreverá definições (se os meninos ainda não tem todos o catecismo), as divisões; as palavras novas para as crianças; as máximas, os hinos que vai ensinar; fará seus gráficos e esquemas; desenhará objetos; fará resumo da aula, para melhor gravá-la, e assim por diante.

Não me parece sem importância as crianças gostarem do quadro-negro: tornar a aula de Catecismo do gosto dos alunos é apostolado dos melhores em favor do ensino religioso.

Não fiquemos somente em lastimar que um meio tão poderoso e eficiente tenha estado ausente de nossas aulas de Religião, quando é tão fácil e tão barato. Corrijamos o erro, trazendo o quadro-negro para a frente das crianças, e nos aproveitemos de suas vantagens.

Mapa da Palestina - Agora já ninguém se admirará que, ao lado do quadro-negro, peçamos um bom mapa da Palestina, para o Catecismo, mesmo paroquial. É simples. Pensou-se já em começar o ensino do Catecismo pelo mapa da Terra Santa. Não me parece o indicado. Mas agora a criança já tem noções de geografia capazes de lhe permitirem o uso do mapa. Fala-se em Belém e Nazaré, em Cafarnaum e Jerusalém. E se estabelece um confronto entre Judeia e Galileia. A criança ouve essas palavras. Antigamente era muito mais vagas. Hoje, no quadro negro, tomaram forma concreta. Agora tomam uma forma viva. Ela acompanha no mapa a caminhada que Jesus fez com seus apóstolos.

Se a catequista é mais cuidadosa, tem o seu mapa da Terra Santa. Neste seu mapa, ao lado do nome da cidade, está uma vista da cidade colada ou um desenho com o fato da vida de Cristo. É a gruta do nascimento, o templo da pregação, o Calvário, a oficina de Nazaré. Pode vir a distância em quilômetros. Então é muito mais interessante acompanhar as viagens de Nosso Senhor.


Dísticos - Se a aula é dada na escola, é mais fácil prender às paredes alguns dísticos em letra grande e vistosa, com frases curtas e sugestivas.

Essas máximas têm grandes vantagens. Na escola entram a propósito de tudo. Para a formação de hábitos educados, o combate ao álcool, a boa alimentação etc, lá estão, pelas paredes, as pequenas frases, acompanhando, às vezes, sugestivas figuras. O simples fato de, entre elas, aparecerem os motivos religiosos já é vantajoso: não se exclui a Religião, relegando-a para um plano excepcional da vida.

Mesmo na igreja se pode achar meio de colocá-las antes da aula, de modo a serem facilmente vistas pelas crianças. Depois se retiram.

Fica a critério da catequista escolher as máximas de acordo com o espírito da classe e com a lição.

É fácil fazer esses dísticos. Uns podem ser mais enfeitados, com gravuras, desenhos etc. Outros serão mais simples. Sempre em caracteres claros e bem facilmente legíveis. Nalguns as próprias crianças podem ajudar, escrevendo ou ilustrando. Pode-se também mandar escrever nas capas dos cardernos, nos santinhos de lembrança etc, de modo a ir enchendo com este espírito cristão a mente da criança, assaltada pelas máximas pagãs que a cercam de todos os lados.

______________________________
(1) - Não nos deteremos no assunto. Os que quiserem um estudo bem feito consultem o "Méthode Pédagogique de l'enseignement du Catéchisme" do P. C. E. Roy, que esgota a questão.
(2) - Para saber mais sobre a pedagogia Montessori, clique aqui.


(Capítulo do livro A pedagogia do Catecismo)

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Como ensinar o Catecismo às crianças? (Parte I)

Algumas perguntas aos protestantes



É impossível a um crente na Sola Scriptura responder estas perguntas abaixo sem atestar uma autoridade extra-bíblica, pois nenhuma combinação de versículos provará a requerida informação.

Por favor, mostre o(s) versículo(s) que:

1- Dizem que Deus criou o mundo/universo a partir do nada.

2- Dizem que a Escritura é a única autoridade (isto é, não existe outra autoridade para compreender Deus/a salvação.

3- Dizem que a salvação é atingida somente pela fé.

4- Provam que a revelação de Jesus Cristo teve fim com a morte dos apóstolos.

5- Mostram a lista dos livros canônicos do Antigo Testamento.

6- Mostram a lista dos livros canônicos do Novo Testamento.

7- Expliquem a doutrina da Santíssima Trindade.

8- Dizem o nome do "discípulo amado".

9- Contenha o nome do autor do Evangelho de Mateus.

10- Contenha o nome do autor do Evangelho de Marcos.

11- Contenha o nome do autor do Evangelho de Lucas.

12- Contenha o nome do autor do Evangelho de João.

13- Contenha o nome do autor do Atos dos Apóstolos.

14- Diga que o Espírito Santo é uma das três pessoas da Santíssima Trindade.

15- Diga que Jesus é tanto Deus e homem desde o momento da sua concepção (isto é, como sabemos que sua divindade não fora infundida nele?) e/ou nos diga que Cristo é uma pessoa com duas naturezas, humana e divina e não somente outra combinação das duas em medidas desiguais (mais Deus que homem, mais homem que Deus).

16- Diz que Jesus Cristo tem a mesma substância de divindade que Deus-Pai.

Autor: Rondinelly Ribeiro
Fonte: www.veritatis.com.br

COMENTÁRIO:

A Bíblia e a Tradição Apostólica provém ambas de uma mesma fonte, os apóstolos e a Igreja primitiva. No desejo de rejeitarem a Igreja e os sucessores dos apóstolos, as seitas se apegaram unicamente a Bíblia, mutilando assim a revelação de Jesus Cristo. A pregação oral dos apóstolos e de seus sucessores foi a maneira ordinária (comum) de transmitir a fé as primeiras gerações cristãs. A Bíblia não é uma exposição sistemática de doutrina e teologia, não é um manual de fundar igrejas, sendo composta inclusive de alguns escritos ocasionais, ou "bilhetes":

"Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa." (2Ts 2,15)

"Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo,redigida por nosso ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações." (2Cor 3,3)

"Apesar de ter mais coisas que vos escrever, não o quis fazer com papel e tinta, mas espero estar entre vós e conversar de viva voz, para que a vossa alegria seja perfeita." (2Jo 1,12)

"Tinha muitas coisas para te escrever, mas não quero fazê-lo com tinta e pena." (3Jo 1,13)

"quem me dera estar agora convosco, para descobrir o tom* que convém à minha linguagem, visto que eu me encontro extremamente perplexo a vosso respeito." (Gl 4,20)

Obviamente não podem estar em contradição Bíblia e Tradição e ambas possuem para a Igreja o mesmo valor. Quando devidamente interpretadas conforme a linha recebida dos primeiros cristãos, não se encontram as tais proclamadas contradições. Espanta-se até os que estudam a patrística ao verem ali apresentadas as mesmas crenças e práticas católicas atuais. Tampouco é fonte de contradição a Bíblia não conter algo que a Tradição contém, pois a própria Bíblia declara não conter tudo (Jo 21,25).

A Tradição da Igreja dá corpo e forma a Bíblia, pois foi a Igreja que inerrantemente definiu os livros que a compõe. Dessa forma havia muitos livros apócrifos e até mesmo escritos por hereges que pretendiam se passar por escritos apostólicos. Negar a inerrância da Igreja Católica ao defini-los é conseqüentemente negar a inerrância e confiabilidade da Bíblia. Fato concreto e prático é a mesma não conter uma lista de livros inspirados. A Bíblia não contém seu próprio cânon. Aqueles que se arvoram em seu erro de conceder autoridade somente a Bíblia teriam que explicar de onde viria a autoridade que a definiu.

Assim muitas informações que temos sobre a Bíblia só chegaram a nós pela Santa Tradição Apostólica, guardada pela Igreja Católica. E não trata-se apenas de simples curiosidade, mas de informações fundamentais para a estruturação da Bíblia, pois sem isso poderíamos todos estarmos lendo algum livro de um herege falsamente se fazendo passar por Mateus por exemplo, no lugar de lermos o verdadeiro Evangelho segundo Mateus.

Quanto mais distante da Tradição mais se está distante da Igreja Primitiva. Assim se observa em heresias como as Testemunhas de Jeová (no entanto tão tolerados) que negam a divindade de Jesus; Mórmons e seu politeísmo, etc.

O texto acima demonstra de maneira clara a dependência da formação do livro que temos hoje por Bíblia, da Tradição guardada pela Igreja.

*Paulo demonstra o desejo de estar presente e não escrevendo para poder dar com seu tom de voz a interpretação correta de sua mensagem. Coisa que não é possível se fazer por escrito. Ainda mais que não existiam "caracteretas": :-) :-( >:-(


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