E saíram do Seu lado sangue e água - Bento XVI

E saíram do Seu lado sangue e água - Bento XVI
Grupo de Resgate Anjos de Adoração - GRAA  /  Fábio Graa


Saíram sangue e água do coração traspassado de Jesus. Em todos os séculos, a Igreja, segundo a palavra de Zacarias, olhou para esse coração traspassado e nele reconheceu a fonte de bênção indicada antecipadamente no sangue e na água. A palavra de Zacarias impede mesmo a buscar uma compreensão mais profunda daquilo que lá aconteceu.

Um primeiro grau desse processo de penetração encontramo-lo na Primeira Carta de João, que retoma vigorosamente o discurso do sangue e da água saídos do lado de Jesus: "Este é O que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo; não com a água somente, mas com a água e o sangue. E é o Espírito que testemunha, porque o Espírito é a verdade. Porque três são os que testemunham: o Espírito, a água e o sangue; e os três tendem ao mesmo fim." (5,6-8)

Que entende dizer o autor com a afirmação insistente de que Jesus veio não só com a água, mas também com o sangue? Pode-se provavelmente supor que aluda a uma corrente de pensamento que dava valor apenas ao Batismo, mas punha de lado a cruz. E talvez isso signifique também que se considerava importante só a palavra, a doutrina, a mensagem, mas não "a carne", o corpo vivo de Cristo, exangue na cruz; signifique que se procurava criar um cristianismo do pensamento e das idéias, do qual se queria tirar fora a realidade da carne: o sacrifício e o Sacramento.

Os Padres viram nesse duplo fluxo de sangue e água uma imagem dos dois sacramentos fundamentais - a Eucaristia e o Batismo -, que brotam do lado traspassado do Senhor, do seu coração. São a corrente nova que cria a Igreja e renova os homens. Mas os Padres, diante do lado aberto do Senhor que dorme na cruz o sono da morte, pensaram também na criação de Eva ao lado de Adão adormecido, vendo assim, na corrente dos sacramentos, ao mesmo tempo a origem da Igreja: viram a criação da nova mulher do lado do novo Adão.

Bento XVI, Jesus de Nazaré, Da entrada em Jerusalém até a ressurreição.


Original Article: http://anjosdeadoracao.blogspot.com/2015/04/e-sairam-do-seu-lado-sangue-e-agua.html



ENTRETANTO

ENTRETANTO
NA PAZ, A VERDADE  /  NA PAZ, A VERDADE

O Sábado Santo é uma espécie de entretanto entre a comemoração da morte e a celebração da vida. Entre a Cruz e a Ressurreição, há a sepultura.

 

O trânsito ocorre aqui. A Páscoa está, literalmente, em marcha. A passagem da morte para a vida faz-se no silêncio da espera.

 

Nada há mais distante. Nada existe tão próximo. A morte é a negação da vida. A vida é a superação da morte. Entre uma e outra um dia de espera, de expectativa.

 

Há, aqui, uma realidade e um sentido, um significante e um significado.

 

Desde logo, não é para o alto que devemos olhar. É para as profundidades que temos de nos dirigir.

 

Estamos no fundo? Mas é do fundo que tudo parte.

 

A grande lição do Sábado Santo é que não há motivos para o derrotismo (próprio de Sexta-Feira Santa), mas também não há ainda razões para a euforia (aceitável em Domingo de Páscoa).

 

O Sábado Santo é a grande metáfora da vida humana. É preciso nunca deixar de acreditar, nunca desistir de trabalhar. Não há obstáculos intransponíveis.

 

Deixo, a este propósito, um texto magnífico de Carlo Maria Martini: «Estamos no sábado do tempo, caminhando em direcção ao oitavo dia: entre o "já" e o "ainda não", devemos evitar absolutizar o hoje com atitudes de triunfalismo, ou, pelo contrário, de derrotismo.

 

Não podemos deter-nos na escuridão de Sexta-Feira Santa, numa espécie de "cristianismo sem redenção"; mas também não devemos apressar a plena revelação da vitória da Páscoa em nós, que se realizará na segunda vinda do Filho do Homem.

 

Somos convidados a viver como peregrinos na noite iluminada pela esperança da fé e acalentada pela autenticidade do amor».



Original Article: http://theosfera.blogs.sapo.pt/entretanto-2921380



GRANDE SILÊNCIO

GRANDE SILÊNCIO
NA PAZ, A VERDADE  /  NA PAZ, A VERDADE

De um autor antigo, provavelmente do século IV:

 


«Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos.

Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: "O meu Senhor está no meio de nós". E Cristo respondeu a Adão: "E com o teu espírito". E, tomando-o pela mão, disse: "Acorda, tu que dormes, levante-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará"».

No silêncio, somos convidados a fazer uma viagem até ao nosso interior e meditar sobre o sentido da nossa vida e avaliar a qualidade da nossa relação com o Senhor. Silêncio que nos leva perceber o mistério que envolve a nossa vida e nos fala da necessidade de estarmos com Deus.

Sábado Santo é dia de recolhimento, de encontro com o Ressuscitado, na oração e na contemplação. É preparação para liturgia da Vigília Pascal, a grande festa, a mãe de todas as vigílias e a fonte de todas as liturgias.



Original Article: http://theosfera.blogs.sapo.pt/grande-silencio-2921553



A Tragédia de Judas

A Tragédia de Judas
PASTORALIS

Luíza dos Santos

Há aqueles que enchem a boca e estufam o peito para dizerem-se católicos: seguidores de Jesus Cristo. No entanto, mais que a identificação com Ele, buscam na fé a realização dos seus próprios interesses. Judas Iscariotes seguiu Jesus pessoalmente por três anos e não se identificou com Ele, não entendeu sua mensagem, não aproveitou o tempo que teve para relacionar-se com Cristo intimamente: isolou-se. Viveu com Ele, mas não o compreendeu. Realizou milagres, mas não os atribuiu à missão de Cristo. Traiu-o e não lhe pediu perdão.

Assim nós, muitas vezes, relativizamos nossa relação com a fé, esvaziando-nos não de nós mesmos, mas dEle, tornando nosso cristianismo apenas um rótulo, substituindo seu conteúdo por opiniões pessoais fundadas não na verdade, mas em vontades. Ora, ninguém quer assemelhar-se àquele cujo nascimento seria melhor não ter ocorrido. Mas pode ser salutar indagar-se, como fizeram os apóstolos: serei eu?

Original Article: http://www.pastoralis.com.br/pastoralis/html/modules/smartsection/item.php?itemid=917



De Profundis

De Profundis
ESPIRITUAL-IDADE  /  Roselia Bezerra


Deus, meu Deus, a distância entre nós não é tolerável.
Mostrai-me o caminho reto simples e verdadeiro.
 O caminho da minha alma ao vosso espírito sem nenhuma intervenção entre o céu e a terra.
Eu estou pobre e desvalida e tudo me fere. Tudo o que se diz é muito duro, humano demais e me confunde.
A dor me roubou a infância.
Eu não sou mais do que uma alma de luto, pela sua alegria. Na terrível e estrita via onde apenas vive a esperança.
(Raïssa Maritain)



SILÊNCIO DE MARIA

S ilencio o meu coração
I lumina-se  a minha mente
L embrando tanto amor derramado
E união desejo somente 
N unca o desespero
C resça em meu ser
I maginando
O pior

D epois de tanto lutar em vão
E desapegue o meu pobre coração

M aria, mãe da Misericórdia
A legra o meu ser reservado
R eine em minhas ações
I nterceda por mim, por todos e pela discórdia

A Jesus amado!



Original Article: http://www.idade-espiritual.com.br/2015/04/de-profundis.html